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Tales Faria

REPORTAGEM

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Após Pacheco desistir, Kassab insiste: "PSD terá candidato a presidente"

27.out.21 - O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e Rodrigo Pacheco, que comanda o Senado, na filiação do senador ao partido - MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA//ESTADÃO CONTEÚDO
27.out.21 - O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e Rodrigo Pacheco, que comanda o Senado, na filiação do senador ao partido Imagem: MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA//ESTADÃO CONTEÚDO
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

10/03/2022 08h00

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse que lamenta a decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), de desistir da candidatura ao Palácio do Planalto. Mas Kassab insiste que a legenda não abre mão de lançar um candidato próprio.

Procurado pela coluna, ele afirmou:

"A candidatura do Rodrigo seria uma extraordinária alternativa para o país. Agora, com sua decisão tomada, nós do PSD vamos com calma analisar o quadro. Mas o que está definido é a posição irreversível do partido de ter candidato próprio para presidente da República."

Kassab não quis comentar como estão as negociações com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para ele deixar o PSDB e se candidatar à Presidência pelo PSD.

Leite pretende aguardar até o final do mês, quando expira o prazo para políticos mudarem de partido sem risco sofrer punição da legenda.

Há uma articulação no PSDB para o atual candidato do partido ao Planalto, o governador de São Paulo, João Doria, desistir de concorrer. Se Doria não o fizer, a expectativa é de que deputados tucanos deixem a legenda. Nesse caso, Leite poderá saber a amplitude do apoio que teria entre os rebelados, caso se transfira para o PSD.

Outra dúvida de Eduardo Leite é quanto ao apoio real que teria no PSD à sua candidatura. Com a atual legislação, o número de deputados eleitos é que define a parcela que a legenda recebe do Fundo Partidário. Os partidos têm preferido, então, investir seus recursos na eleição para a Câmara, e nem tanto em candidaturas majoritárias para presidente, governador ou Senado.

Kassab tem dito que o PSD tem outras alternativas de candidatura, caso Eduardo Leite fique no PSDB. Ele citou, por exemplo, o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, que já esteve no PSDB, no MDB e no Cidadania, entre outras legendas.

No entanto, há no PT a expectativa de que o PSD acabe optando por uma aliança eleitoral com os petistas em apoio à candidatura do ex-presidente Lula, e abrindo mão de um candidato próprio. Mas Gilberto Kassab jura de pés juntos que não trabalha com esta hipótese.

Nota

No final da manhã, Kassab divulgou a seguinte nota:

"O senador Rodrigo Pacheco é um dos principais nomes da renovação política brasileira e reafirmo minha convicção de que ainda teremos o privilégio de tê-lo presidindo o Brasil. Ainda jovem se tornou um dos principais advogados do País, conquistando o respeito e admiração de seus colegas advogados em Minas Gerais. Por seu extraordinário desempenho profissional, representou seu Estado no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Decidiu seguir sua vocação e atender o chamado da vida pública para, em 2014, disputar e conquistar uma cadeira de deputado federal. Comandou a principal comissão da Câmara Federal, de Constituição e Justiça. Sua grande atuação no mandato o levou a disputar uma vaga ao Senado, eleição que venceu como o mais votado em Minas Gerais em 2018. Na Casa Alta, sua ponderação, firmeza e liderança rapidamente o fizeram conquistar o respeito e admiração dos senadores, que o escolheram como presidente, cargo que ocupa desde fevereiro de 2021. Tem a admiração de todos no PSD, que celebraram sua filiação ao partido e que, em novembro do ano passado, o convidaram por aclamação para ser nosso candidato a presidente nestas eleições. Ele entendeu não ser este o momento adequado. Assim é a democracia e o partido tem total respeito por sua decisão. Sei que ele terá seu nome como um dos melhores presidentes da história do nosso Senado e que seguirá defendendo os interesses de Minas Gerais e trabalhando pelo crescimento e desenvolvimento do Brasil."