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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Milton Ribeiro é mais um dos casos de "nenhum caso de corrupção no governo"

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

22/06/2022 09h00

O escândalo de corrupção envolvendo o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores que circulavam com frequência no Palácio do Planalto cairá como uma luva para a oposição, na campanha contra a reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

Vale lembrar que Milton Ribeiro foi agraciado com uma das declarações de apoio mais fortes do presidente da República: Bolsonaro disse simplesmente que punha a sua "cara no fogo" pelo então ministro.

Quanto aos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, também citados na ordem de prisão contra o ministro, são suspeitos de montar um verdadeiro gabinete paralelo para liberação de verbas dentro do MEC.

Vale lembrar também aquele áudio revelado pela Folha de S.Paulo de uma reunião em que Ribeiro afirmou que, a pedido de Bolsonaro, repassava verbas para municípios indicados pelo pastor Gilmar Moura.

E Vale lembrar, mais que tudo, que Bolsonaro costuma repetir que nunca houve nenhum caso de corrupção em seu governo. Nenhum caso transitado em julgado, pois, afinal, o atual governo só tem três anos e alguns meses e a Justiça brasileira, como se sabe, é lenta.

Os casos de demora na compra de vacinas, desvios e compras excessivas de cloroquinas e outros remédios na pandemia ainda estão por ser esgotados na Justiça, assim como rachadinhas et cetera.

Esse, aliás, é um dos motivos pelos quais o presidente tem feito das tripas coração pela sua reeleição em outubro. É uma corrida contra o tempo para tentar manter o poder de indicar ministros das cortes superiores e angariar apoios no meio jurídico.