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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro corre contra o tempo para Lula não liquidar a eleição no 1º turno

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

03/08/2022 15h47

Faltam 60 dias para o primeiro turno da eleição presidencial do dia 2 de outubro. A pesquisa Genial/Quest divulgada nesta quarta-feira, 3, mostrou que o ex-presidente Lula (PT) ainda venceria no primeiro turno se pleito ocorresse agora, mas por pequena margem.

Lula detém 44% das intenções de voto na pergunta estimulada contra 42% da soma de todos os outros concorrentes. Bolsonaro atingiu 32%. Ou seja, Lula tem 50,5% dos votos válidos. Caiu meio ponto percentual em relação ao mês passado.

Com isso, aumentaram as esperanças dos bolsonaristas de evitar que o petista liquide o adversário já no primeiro turno. Mas o tempo é curto.

Formalmente a campanha eleitoral começa no próximo dia 16, sendo que a propaganda gratuita no rádio e na TV se inicia no dia 26.

É nessa reta final que, de fato, o povão começa a se interessar pela eleição, conhecer os candidatos e decidir seu voto.

Desta quarta-feira, 3, até o dia 2 de outubro são 60 dias, mas do dia 16, quando começa a campanha, até lá, serão apenas 47 dias. E se a nossa contagem começar no dia 26, com a propaganda nas rádios e TVs, teremos apenas 47 dias da fase mais quente da disputa.

É este o tempo que Bolsonaro tem para, não digo virar o jogo, mas pelo menos manter-se na disputa, forçando um segundo turno.

Agora, mais do que nunca, tudo vai depender de os dois candidatos não cometerem muitos erros.

As pesquisas mostram que diminuiu a rejeição ao governo Bolsonaro, mas o presidente não ganhou votos com isso ainda.

Não ganhou porque, provavelmente, o eleitor está identificando o aumento no valor do auxílio emergencial e as benesses da PEC eleitoral como dádivas do governo como um todo, o que inclui o Legislativo, e não uma benesses oferecida pelo Bolsonaro. Caberá à sua campanha forçar essa ligação.

Os auxiliares de Lula sabem disso, e já começaram a trabalhar dois motes para neutralizar o avanço de Bolsonaro.

O primeiro mote Lula já tem usado em suas falas: "Pegue o auxílio emergencial, mas vote em mim, que inventei o Bolsa Família e vou manter os R$ 600."

O outro mote de campanha, também circula nas redes sociais: "O governo Bolsonaro está distribuindo essas benesses todas só porque o Lula está em primeiro lugar nas pesquisas."

Se essas ideias pegarem, talvez dê para derrubar o adversário no primeiro turno. Se não pegarem, Bolsonaro tem boas chances de superar sua primeira barreira na corrida contra o tempo e partir para a disputa de segundo turno.

Façam suas apostas!

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