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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ao Jô, Bolsonaro confessa defesa de fuzilamento de FHC para aparecer na TV

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

05/08/2022 10h50

No tempo em que o então deputado Jair Bolsonaro rogava para aparecer na mídia, ele mandou email para o "Programa do Jô" cobrando direito de resposta. O apresentador que morreu nesta sexta-feira, 5, havia criticado as ideias ultraconservadoras do parlamentar.

Jô então concedeu espaço de 21 minutos para Bolsonaro, mas insistiu no debate. Quando puxou o assunto de uma defesa que Bolsonaro fez do fuzilamento do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso o deputado riu. E confessou: "Se eu não peço o fuzilamento de FHC, jamais você estaria me entrevistando aqui agora."

Hoje, que conseguiu ser eleito presidente, Bolsonaro foge de entrevistas que não sejam sob seu estrito controle. Ontem se recusou a comparecer aos estúdios da TV Globo para a sabatina que o Jornal Nacional faz com candidatos a presidente. Só aceitaria se fosse no Palácio. Mas a Globo insistiu e ele acabou recuando.

Ele vai continuar tentando fugir de entrevistas durante a campanha sempre que puder. Afinal, a partir dessa entrevista com o Jô Soares, por exemplo, alguém pode cobrar que ele explique por que agora defende as privatizações que apontou como motivo para o fuzilamento de FHC.

Na entrevista, Bolsonaro classificou como uma "barbaridade" privatizar a Vale do Rio Doce, as telecomunicações e "entregar nossas reservas petrolíferas ao capital estrangeiro".

Dá para entender por que está fugindo da raia agora. Mas se tivesse sido cassado por defender fuzilamento de um presidente da República a história seria outra.