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Haddad força Congresso a dizer quem paga a conta da grana aos empresários

No Análise da Notícia desta quarta-feira (12), o colunista Tales Faria afirmou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai forçar o Congresso a encontrar uma alternativa para compensar a perda de receitas do governo com a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia. Após forte pressão de empresários de indústria e do agronegócio, o governo sofreu uma nova derrota na busca por receitas: o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), devolveu nesta terça (11), parte da MP (Medida Provisória) editada pelo governo que limitava créditos de PIS e Cofins.

O Haddad e o Lula estão cansados de saber que quando se mexe com o dinheiro, com o Congresso, com a Faria Lima, com essas coisas, o buraco é mais embaixo, é um vespeiro. Então qual é a estratégia desenhada pelo Haddad? É jogar para o Congresso. "Olha, espera aí, isso aí é um vespeiro, vamos com calma com isso, vamos jogar para o Congresso e a sociedade como um todo, decidirem de onde vamos tirar esse dinheiro."

Quando o governo judicializou, por exemplo, jogou para o Supremo —ficou para o Supremo anunciar. Os ministros decidiram que se der grana pros empresários, tem que colocar no orçamento de onde vem. Agora o Congresso terá que decidir de onde vem a grana. Quer beneficiar os empresários? Diga ao povo de onde vão tirar. É isso que o Haddad mandou pro Congresso: 'Posso tirar aqui do PIS-Cofins é uma possibilidade. Vocês querem?' Aí eles: 'Ah, não, não'. Então tá, então diz de onde tirar. Não é à toa que o Congresso já tá chamando essa MP de MP do fim do mundo. Tales Faria, colunista do UOL

Tales apontou que é arriscada a tentativa de reduzir desonerações e afirmou que medida semelhante ajudou a enfraquecer o segundo governo de Dilma Rousseff.

Esse negócio de desoneração da folha de pagamento surgiu lá no governo da Dilma Rousseff. A desoneração da folha de pagamento das empresas foi criada em 2011, beneficiava 56 setores da economia que supostamente empregavam mais. Hoje são 17, e a gente descobriu que, na prática, não empregam tanto mais assim.

Naquela época, a Dilma estava em namoro com as elites, falavam em fazer uma faxina no governo anterior, que era o governo Lula, o que deixou o PT e próprio de Lula muito irritados. Mas, com o tempo, a economia começou a desandar. Teve em 2013 os protestos de Lula, a Dilma foi perdendo apoios, e isso começou a cobrar muito um ajuste fiscal.

Em setembro de 2015, ela assinou a lei que reduziu as benesses da desoneração, tirou setores, tirou porcentagens. Em 15 de outubro, o Miguel Reale Júnior, a Janaína Paschoal e Hélio Bicudo apresentaram o tal pedido de impeachment por pedaladas fiscais. Em dezembro daquele ano, o Eduardo Cunha aceitou dar início ao processo de impeachment. Ou seja, esse negócio de tirar dinheiro do empresariado, como ocorreu com a Dilma diminuindo o número de empresas beneficiadas pela desoneração da folha, é mexer num vespeiro. Tales Faria, colunista do UOL

O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 13h e às 14h30.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

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Veja abaixo o programa na íntegra:

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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