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Tales: PL do aborto foi à pauta por acordo entre evangélicos e Lira

O projeto de lei que equipara o aborto legal ao homicídio entrou na pauta do Congresso por causa de um acordo entre evangélicos e o presidente da Câmara, Arthur Lira, para a eleição do comando da Casa, revelou o colunista Tales Faria no UOL News nesta sexta.

Tales conversou com o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), autor do PL do aborto. O parlamentar, ex-presidente da bancada evangélica e um dos principais líderes do segmento no Congresso, contou que o acerto com Lira já estava fechado há pelo menos um ano e envolve outros temas que interessam ao grupo.

O relator do projeto disse que o acordo com Lira é realmente fruto de um acordo com os evangélicos e que isso foi fechado há mais de um ano, quando Lira quis se reeleger presidente da Câmara. Ele fechou que colocaria em pauta essa questão do aborto.

Foram fechadas cinco propostas dos evangélicos. Lira não colocou tudo o que eles queriam e foi cobrado. A pauta prioritária era sobre aborto, drogas e capelania - uma resolução do CNJ [Conselho Nacional de Justiça] que impede proselitismo político dos evangélicos nos presídios.

Sóstenes disse que Lira vai cumprir tudo e, se ele pautar estes três assuntos, [os evangélicos] se sentirão contemplados e o apoiarão. O deputado diz que eles têm 300 votos na Câmara para aprovar o projeto. Vamos ver se é tudo isso mesmo. Tales Faria, colunista do UOL

Após a repercussão negativa ao projeto, segundo o qual mulheres violentadas podem receber punição maior do que a dada para seus estupradores, Sóstenes reiterou ser favorável ao aumento da pena de estupro para 30 anos.

Sobre a mudança [no PL do aborto], ele defende o aumento da pena para os estupradores e disse que não colocou isso no projeto por não ser da técnica legislativa. Se a relatora colocar, ele também apoiará o aumento da pena para 30 anos.

O autor do PL disse que gostaria de um 'Estatuto do Nascituro', em que o aborto fosse proibido desde o início. Ele cita a França, por exemplo, onde não se pode fazer aborto a partir da 12ª semana, diz que colocaram dez semanas a mais aqui e foram mais condescendentes e acha que o projeto vai passar. Tales Faria, colunista do UOL

Bergamo: Situação de Gleisi é mais complicada que a de Janja sobre PL do aborto

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A cobrança por um posicionamento sobre o PL do aborto coloca a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, em posição mais delicada do que a da primeira-dama Janja da Silva, avaliou a colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo.

Não queria estar na pele da Gleisi. Sabemos o que ela pensa sobre isso, mas Gleisi é presidente de um partido que disputa eleição como cabeça de chapa ou como aliança em cinco mil municípios. Lira quer mandar um recado para o Lula. Essa bancada quer carimbar na cara do presidente e do PT que eles são abortistas. A situação da Gleisi é ainda mais complicada do que a da Janja, mas acredito que ela se posicionará em algum momento. Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo

Madeleine: Sou contra o aborto, mas não pode ser equiparado a homicídio

O projeto de lei que equipara o aborto ao homicídio não pode ser considerado sério e é uma vingança contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, afirmou a colunista Madeleine Lacsko.

Esse projeto não é sério, pois não tem como objetivo regrar o que ele diz querer regrar, que é a questão do aborto. É uma vingança contra Alexandre de Moraes e tem uma técnica jurídica estapafúrdia de inventar coisas.

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Sou contra o aborto, mas não sou a favor de equiparar aborto a homicídio. De onde tiraram isso? Em que outro país se equipara o aborto ao homicídio? Aborto é aborto e homicídio é homicídio. Não há como ter uma técnica jurídica boa dando às coisas uma definição diferente da realidade. Madeleine Lacsko, colunista do UOL

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