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Thaís Oyama


Por que Bolsonaro tem ciúme de Mandetta?

Mandetta e Bolsonaro: o ministro foi salvo pelo coronavírus - Agência Brasil
Mandetta e Bolsonaro: o ministro foi salvo pelo coronavírus Imagem: Agência Brasil
Thaís Oyama Thais Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Thais Oyama

Colunista do UOL

24/03/2020 04h00

O médico ortopedista e ex-deputado federal (DEM-MS) Luiz Henrique Mandetta virou ministro do governo Bolsonaro por indicação do seu correligionário Ônix Lorenzoni, em costura com a frente parlamentar da saúde.

Mandetta, porém, nunca foi "do time" de Bolsonaro. Ao contrário de ministros como o general Augusto Heleno, Abraham Weintraub e mesmo Sérgio Moro e Paulo Guedes, o titular da Saúde jamais sacudiu a bandeira do bolsonarismo pelas ruas e nem costumava postar mensagens nas redes em defesa do presidente -hábito muito apreciado pelo ex-capitão e por seu filho Carlos Bolsonaro. Em vez disso, afirmam críticos do ministro no Palácio do Planalto, Mandetta preferia "fazer voo solo". Como, para Bolsonaro, quem não está com ele está contra ele, o ministro entrou na mira de tiro do presidente e seu grupo mais próximo.

No mês passado, o general Walter Braga Netto assumiu o lugar de Ônyx Lorenzoni na Casa Civil. Recebeu, entre outras missões, a de cobrar resultados dos ministros que, não necessariamente pelo mesmo motivo, estavam pela bola sete: Weintraub, Marcos Pontes, Ricardo Salles e .... Mandetta, agora salvo pelo coronavírus. Por quanto tempo só o humor do presidente dirá.

Bolsonaro não engoliu o fato de o médico ter comparecido na semana passada à reunião convocada pelo governador de São Paulo, João Dória, e se sentado na mesma mesa que o tucano durante uma entrevista coletiva. O presidente considera Dória e o governador do Rio, Wilson Witzel, seus inimigos. E qualquer um que mantenha relações cordiais com eles passa a gozar automaticamente do mesmo status.

O protagonismo de Mandetta na crise do coronavírus —e as declarações que deu na contramão do discurso negacionista do chefe— aumentou a irritação de Bolsonaro com a nova estrela do seu ministério. "Ministério que EU montei", como lembrou o presidente em público e em privado. Mandetta ouviu a frase diretamente da boca do ex-capitão - desde então chamado por ele de "o grande timoneiro desse barco".

Bolsonaro tem razão de ter ciúme do seu ministro. Luiz Henrique Mandetta mostrou que de política ele entende.

Thaís Oyama