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Thaís Oyama


A nota do GSI não é um blefe, Bolsonaro está disposto a ir até o fim

O ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno: a nota não é dele, é do presidente - Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
O ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno: a nota não é dele, é do presidente Imagem: Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

22/05/2020 15h59

A nota divulgada há pouco pelo general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, foi escrita imediatamente depois de o militar deixar o gabinete do presidente da República. Feita com o conhecimento do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, ela classifica a possibilidade de apreensão do celular de Bolsonaro como uma "evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes". E avisa que qualquer iniciativa nesse sentido poderá ter "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional".

Não se trata de blefe.

O presidente Bolsonaro ficou "transtornado" com o fato de o ministro do STF Celso de Mello considerar a hipótese de apreender seu telefone. Decidiu, e anunciou com todas as letras a colaboradores, que não entregará o aparelho à Justiça nem mesmo diante de determinação da Corte. "Quem irá cumprir a ordem?", comentou em tom de desafio um assessor palaciano.

Não por acaso a nota de "alerta" divulgada pelo Palácio não foi assinada pela Advocacia Geral da União, como seria a praxe, nem pela Secretaria de Comunicação.

O general Augusto Heleno endossa cada palavra e intenção do presidente.

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