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Thaís Oyama


Quem é Frederick Wassef, o homem que "inventou" Bolsonaro

Frederick Wassef, sobre a eleição de Bolsonaro: "Eu previ o futuro" - Daniel Marenco/Agência Globo
Frederick Wassef, sobre a eleição de Bolsonaro: "Eu previ o futuro" Imagem: Daniel Marenco/Agência Globo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

18/06/2020 09h47

Frederick Wassef é mais que advogado dos Bolsonaro.

O homem que mantinha o desaparecido Fabrício Queiroz escondido em sua casa diz ser o responsável pela transformação do ex-deputado federal do baixo clero em presidente da República.

"Eu não só fui o primeiro a acreditar no Bolsonaro, como fui o primeiro a colocar na cabeça dele a ideia de concorrer à Presidência", diz.

O advogado conta que, em 2014, quando estava internado para tratamento de câncer em São Paulo, deparou-se com um discurso do então deputado Bolsonaro sobre a necessidade de uma lei para impor o controle de natalidade no Brasil.

A partir daí, diz ter se "apaixonado" pelo parlamentar, a quem procurou mais tarde e de quem se tornou amigo. Sua mulher à época, a empresária Cristina Boner, e a hoje primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também se deram bem, e os Bolsonaro passaram a frequentar a casa de Wassef em Brasília.

Wassef diz que foi num dos desses encontros, ainda em 2014, que disse pela primeira vez ao ex-capitão que ele tinha de se lançar ao Planalto.

"Eu tinha acesso à Lava-Jato, sabia que iriam ser todos presos. Falei para ele: o senhor vai ficar sozinho e sem concorrência no mercado. Eu previ o futuro".

Quando, em dezembro de 2018, o caso Queiroz estourou no noticiário, Wassef assumiu a estratégia de defesa de Flávio. Contrariando os advogados que aconselhavam a família naquele momento, ele convenceu o presidente eleito que o melhor a fazer para abafar a história seria tirar Queiroz e o Ministério Público Estadual do cenário e, por meio do foro privilegiado de Flávio, jogar o caso para o STF.

A estratégia quase deu certo: no dia 15 de julho de 2019, o presidente do STF, Dias Toffoli, atendendo a um pedido de Wassef, concedeu liminar que suspendia todas as investigações criminais que envolviam o uso de dados do Coaf — precisamente o caso de Flávio.

A decisão, ruidosamente comemorada pelos Bolsonaro e por Wassef, conseguiu travar a investigação até novembro daquele ano, quando o plenário do Supremo derrubou a liminar de Toffoli e o caso Queiroz foi retomado.

Como se viu hoje, Wassef, o homem que se jacta de ter "descoberto" Bolsonaro, continua sendo bem mais que o advogado da família.

Thaís Oyama