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Thaís Oyama


Decotelli também exagerou seu currículo militar

O ministro Decotell, com Bolsonaro: para militares, dizer que é "oficial da reserva" é "exibicionismo indevido" - Reprodução/Facebook
O ministro Decotell, com Bolsonaro: para militares, dizer que é "oficial da reserva" é "exibicionismo indevido" Imagem: Reprodução/Facebook
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

30/06/2020 13h29

O ministro da Educação não edulcorou em seu currículo apenas seus feitos acadêmicos, mas militares também.

Na apresentação feita pelo portal do Ministério da Educação na época em que assumiu a presidência do FNDE, Carlos Alberto Decotelli é apresentado como "Oficial da Reserva da Marinha".

Na verdade, Decotelli pertence à categoria da reserva de Segunda Classe da Marinha — é um "RM2".

Isso significa que ingressou sem concurso na Força para prestar lá um serviço militar temporário (no caso do ministro, um período bastante curto).

Ao contrário dos militares de carreira, os temporários não passam pelas escolas de formação de oficiais e vão para a reserva sem remuneração.

Aos olhos dos militares, o fato de um "temporário" se apresentar como "oficial da reserva" de qualquer Força soa "um exibicionismo indevido" — para dizer o mínimo.

Em seu currículo Lattes, o ministro também se diz "Intendente Honorário da Marinha". Trata-se de um título honorífico, uma condecoração de valor relativo, na avaliação de oficiais da Força.

Ao contrário de honrarias como a Ordem do Mérito Naval ou a Medalha do Mérito Tamandaré, o título de "Intendente Honorário" não é dado pelo Presidente da República, mas oferecido pelo Secretário-Geral da Marinha.

O Planalto faria bem também se checasse os cursos que o ministro indica ter dado na Escola de Guerra Naval.

Pode haver inconsistências.

Thaís Oyama