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Thaís Oyama

Como os países se preparam para vacinar a população -- e o caso do Brasil

O ministro da Saúde, general Pazuello: trabalhando "com tranquilidade" - José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
O ministro da Saúde, general Pazuello: trabalhando "com tranquilidade" Imagem: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

28/11/2020 10h45

O chefe do programa de vacinação dos Estados Unidos anunciou nesta semana que 24 horas depois que o FDA aprovar uma vacina contra a Covid-19, as doses começarão a chegar ao país e, em 48 horas, os primeiros americanos estarão recebendo o imunizante.

Na Alemanha, por encomenda do governo, fábricas já estão trabalhando na produção de congeladores do tamanho de um homem para abrigar as vacinas que surgirem. A população do país é de 82 milhões de pessoas, mas, porque as autoridades não sabem que marcas serão aprovadas e quando, negociaram 300 milhões de doses com três diferentes fabricantes.

No Reino Unido, praças e ginásios esportivos estão sendo preparados para virarem centros de vacinação em massa. Serão ao menos 42 unidades e cada uma delas irá vacinar entre 2 mil e 5 mil britânicos por dia.

Na Argentina, as Forças Armadas estão encarregadas de cuidar da operação de vacinação contra o coronavírus. O país tem parceria com a vacina de Oxford e finaliza acordos de compra com a alemã BioNTech e o laboratório russo que faz a Sputnik. O governo espera com isso ter 60 milhões de doses de imunizantes até o ano que vem, o suficiente para imunizar 100% dos argentinos. Os primeiros a receber a vacina serão os idosos e os profissionais da saúde. Depois, virão agentes de segurança e das Forças Armadas.

No Brasil, os planos de imunização do governo restam nebulosos.

Ontem à tarde, depois de longa e intrigante ausência, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, ressurgiu em um evento oficial. A primeira coisa que sua assessoria disse aos jornalistas é que ele não responderia a perguntas sobre pandemia.

No meio da cerimônia, o general tomou a iniciativa de comentar as críticas à ausência de um plano de governo para vacinar os brasileiros.

Em uma fala pródiga em anacolutos, disse não ver motivo para pânico — o ministério estava trabalhando no assunto "com tranquilidade".

"Podem ficar tranquilos, nós estamos acima do momento, nós estamos adiantados. Então, quando nós estivermos com mais dados logísticos da vacina, a gente fecha o plano".

Mais tarde, o Ministério da Saúde achou por bem organizar uma entrevista com técnicos da pasta para melhor esclarecer o que disse o general.

Das falas dos presentes, foi possível reter que:

- não será possível oferecer uma vacina contra Covid-19 para toda a população em 2021. Apenas "grupos de maior risco de exposição e complicações pela doença" deverão recebê-la.

- o ministério "está trabalhando na construção" de um plano nacional de imunização, e um documento "preliminar" deve ser apresentado a especialistas na semana que vem.

- O governo federal, que por enquanto só fechou contratos de compra da vacina de Oxford (que deverá atrasar diante dos últimos imprevistos), "está buscando" acordos com outros fabricantes. Por enquanto, não há previsão de fechar nenhum.

- Por fim, diante da insistência dos jornalistas, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, reconheceu que a pasta enxerga, sim, "um pequeno aumento" dos casos da Covid-19 no Brasil.

Como deve ser bom viver em um país que tem governo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.