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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

A chance de Tasso encarar 2022 e o candidato que quer ir ao céu sem morrer

Tasso Jereissati: de zero a dez, ele diz a amigos que a chance de sair candidato à Presidência não passa hoje de 4 - Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Tasso Jereissati: de zero a dez, ele diz a amigos que a chance de sair candidato à Presidência não passa hoje de 4 Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

15/04/2021 12h05

Uma convicção ao menos une os políticos empenhados na montagem da chamada "aliança de centro" para 2022: o nome escolhido para representá-la tem de ser capaz de manter os outros nomes junto dele e, para isso, não é preciso que seja necessariamente "o melhor", mas o com "mais chances de ganhar" - ou seja, de vencer a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Lula (PT).

Seria o nome do tucano Tasso Jereissati, posto à mesa ontem pelo ex-candidato à Presidência da República Eduardo Jorge, aquele com mais chance de unir o centro e ganhar?

O senador diz a amigos que não. Cita dificuldades políticas de ordem regional (seu conterrâneo e aliado no Ceará, Ciro Gomes, do PDT, concorre ao mesmo posto); empecilhos de natureza partidária (os também tucanos e governadores João Doria, de São Paulo, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, já correm no páreo); e fatores pessoais, como a sua saúde frágil (o senador tem três pontes safenas, dez stents e é diabético).

Quanto aos outros dois nomes cogitados para encabeçar o "centro" — o do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o do apresentador Luciano Huck— envolvidos na montagem da aliança dizem que o primeiro padece de um "exagero de entusiasmo" pelo título, enquanto o segundo, que desde 2018 considera se lançar à Presidência, não se decide nunca. Para um desses políticos, Huck só levaria o projeto adiante se fosse "ungido" candidato único pelos demais, ou seja, se não tivesse de passar pelo risco de assumir sua pretensão de disputar o pleito e ser vencido na disputa interna. "Ele quer ir para o céu sem morrer", diz o político.

A indefinição do nome do candidato que pode incorporar a "terceira via" favorece Lula e Bolsonaro, dado que, na falta de coisa melhor, antibolsonaristas começam a acorrer para o primeiro, enquanto os visceralmente antipetistas vão se deixando ficar com o segundo.

Para evitar a consolidação dessa tendência, os articuladores da aliança de centro têm de achar bem mais do que uma convicção a uni-los.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL