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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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Bolsonaro não crê em terceira via e diz que Lula vem "com sangue nos olhos"

Lula e Bolsonaro: o ex-capitão está certo de que o petista será seu rival no segundo turno, mas não tem tanta certeza se o vencerá  - Amanda Perobelli/Reuters e Marcos Corrêa/Presidência da República
Lula e Bolsonaro: o ex-capitão está certo de que o petista será seu rival no segundo turno, mas não tem tanta certeza se o vencerá Imagem: Amanda Perobelli/Reuters e Marcos Corrêa/Presidência da República
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

12/05/2021 11h07

Jair Bolsonaro não acredita que um nome de centro - tendendo à direita ou à esquerda —estará no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

O presidente (sem partido) está certo de que a disputa se dará entre ele e Lula (PT).

A quem lhe pergunta se está confiante na vitória, Bolsonaro responde que sim.

Diante de seu círculo de assessores mais próximos, no entanto, o ex-capitão tem se mostrado bem menos seguro da reeleição.

A esses colaboradores, o presidente afirma que Lula virá para a disputa "com sangue nos olhos" e chega a projetar cenários a partir da própria derrota.

Bolsonaro diz que o petista irá "desarmar tudo" o que o seu governo construiu e que fará "as coisas que não teve coragem de fazer" nas gestões anteriores do PT - o que inclui, segundo o presidente, impor de vez a "ideologia marxista" na Educação e "aparelhar as Forças Armadas".

Hoje, no entanto, é Bolsonaro quem se esforça para cooptar os militares.

Em março, o presidente demitiu de forma sumária o ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva depois que ele se recusou a lhe dar a cabeça do então comandante do Exército, Edson Pujol. Bolsonaro queria que Pujol se manifestasse publicamente contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin de anular as condenações de Lula, transformando o ex-presidente em "ficha limpa" - Pujol, com quem Bolsonaro há tempos já estava agastado, se negou a fazê-lo.

A demissão de Azevedo e Silva nesse contexto provocou uma crise militar que resultou na saída dos três comandantes das Forças de uma vez - um episódio sem precedentes na história do país.

Pujol foi substituído pelo general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, com quem Bolsonaro não tem proximidade. Também o novo comandante da Marinha, o almirante de esquadra Almir Garnier, era, até sua posse, um quase desconhecido do presidente - o contato mais próximo que tiveram foi quando o almirante, ex-secretário-geral do Ministério da Defesa, participou da comitiva presidencial para o Oriente Médio, em 2019.

Apenas o chefe da Aeronáutica, o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, pode ser considerado simpático ao bolsonarismo.

No último dia 3 de maio, Bolsonaro surpreendeu os novos comandantes ao comparecer à reunião do Alto Comando das Forças, que reúne todos os oficiais-generais de último posto do Exército, Marinha e Aeronáutica.

O evento, na Escola Superior de Guerra, em Brasília, tinha o objetivo de discutir um assunto de grande interesse dos militares: o orçamento destinado às Forças e as medidas para retomar projetos estratégicos paralisados por cortes de verba.

Em geral, esse tipo de reunião é comandado pelo ministro da Defesa, agora o ministro Braga Netto, e não conta com a presença do presidente da República.

A ida de Bolsonaro ao encontro foi uma tentativa do ex-capitão de aproximar-se dos novos comandantes e sondar-lhes os ânimos — em especial, do chefe do "seu" Exército.

O presidente não está sozinho nessa tarefa. Auxilia-o o deputado Eduardo Bolsonaro.

No dia 11 de maio, o filho Zero Três do presidente esteve com o general Paulo Sérgio no quartel-general do Exército —onde foi com a declarada missão de falar sobre projetos de liberação de armas e a disfarçada incumbência de perscrutar a opinião do comandante da Força sobre a conduta do STF, que no passado o deputado disse que bastaria "um cabo e um soldado" para fechar.