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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Alto Comando quer punição de Pazuello, que opta por Bolsonaro e a política

Pazuello e Bolsonaro na manifestação-comício que deflagrou a segunda crise entre o governo e os militares em três meses  - ANDRE BORGES / AFP
Pazuello e Bolsonaro na manifestação-comício que deflagrou a segunda crise entre o governo e os militares em três meses Imagem: ANDRE BORGES / AFP
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

02/06/2021 10h54

O Alto Comando do Exército se reúne hoje para discutir a situação de Eduardo Pazuello e, segundo um general quatro estrelas que acompanha de perto as discussões da cúpula da Força, ela "nunca esteve tão solidamente posicionada numa mesma direção, que é a de proteger a instituição".

Em outras palavras, o Alto Comando está fechado quanto à necessidade de punir o general, nem que isso custe a cabeça do seu número 1, o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, responsável pelo veredicto final.

Bolsonaro já avisou que não quer que Pazuello, seu protegido, seja punido por ter comparecido a uma manifestação em seu apoio. Mas, para o Exército, o que está em jogo suplanta os desejos do presidente: trata-se de reafirmar ou jogar por terra o princípio da disciplina, um dos pilares de sustentação da Força.

No que tange a Pazuello, ele já fez a sua opção: entre o Exército e Bolsonaro, ficou com o segundo.

Agraciado ontem pelo ex-capitão com uma sinecura na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, o general agora se prepara para ingressar em outra fileira: a dos militares insubordinados que, punidos ou expulsos de suas corporações, enveredam pela política.

A essa categoria pertencem o próprio Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão, além do falecido senador Major Olimpio e o deputado Daniel Silveira, ambos eleitos pelo PSL.

Pazuello discute apenas qual o partido a que se filiará e o cargo que disputará em 2022 -cogita desde uma vaga no Senado (pelos estados do Rio de Janeiro, Amazonas ou Roraima) até o governo do Rio. No final, como sempre, será Bolsonaro quem decidirá.

O destino do general que envergonhou o Exército com suas ações e omissões no comando do ministério da Saúde fará pouca diferença para o Brasil.

Já o estrago que ele causou à já esgarçada relação entre o Exército e o Executivo terá efeito mais amplo - e poderá ser medida até o fim da semana, a partir da reação de Bolsonaro à crucial decisão do comandante Paulo Sérgio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL