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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Serviços de inteligência mostram que temperatura do 7 de setembro baixou

Manifestação na Paulista: por enquanto, sem previsão de conflitos no 7 de setembro - Reprodução/Mídia Ninja
Manifestação na Paulista: por enquanto, sem previsão de conflitos no 7 de setembro Imagem: Reprodução/Mídia Ninja
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

31/08/2021 12h52Atualizada em 31/08/2021 13h49

Numa escala de risco das manifestações previstas para o dia 7 de setembro, a possibilidade de ocorrência de conflitos violentos, de zero a dez, desceu de 7 para 5 desde a semana passada.

A avaliação é de um general do Exército que participa das reuniões de monitoramento que vêm sendo realizadas entre a Força e as Polícias Militares de áreas consideradas mais sensíveis, como São Paulo e o Distrito Federal.

Esse monitoramento — feito pelos serviços de inteligência das polícias, do Exército e também pela Abin — visa a aferir o grau de risco de "quebra da ordem pública" durante as manifestações e leva em conta três indicadores principais: os planos de deslocamento e posicionamento de grupos potencialmente perigosos; a presença de armas brancas e de fogo nas mãos desses grupos; e a suficiência ou insuficiência dos meios de contenção dos encarregados de dissipar eventuais focos de conflito (nesse caso, as PMs dos estados).

Até o momento, os responsáveis pelos monitoramentos não identificaram um número significativo de grupos de perfil agressivo dispostos a confrontar frentes antagônicas e nem a presença de armas em seu poder. Sobre a capacidade dos meios de contenção das polícias militares, a conclusão dos serviços de inteligência é de que, tanto em São Paulo quanto no Distrito Federal, ela é suficiente para evitar que conflitos pontuais resultem em distúrbios de massa no dia 7.

Esse esfriamento de ânimos ficou especialmente nítido a partir do dia 25 de agosto. Na data, em que se comemora o Dia do Soldado, setores do Exército temiam que Jair Bolsonaro fizesse um discurso incendiário. O presidente não falou e o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, optou por um pronunciamento protocolar — o comportamento de um e de outro, na avaliação de militares, ajudou a desarmar espíritos.

Mesmo diante da avaliação de baixo risco das manifestações, as reuniões entre comandantes de área do Exército e comandantes das polícias militares de estados contemplaram a hipótese de intervenção da Força no caso de conflitos que saiam do controle dos estados.

A lei prevê que, em situações como essas, governadores podem dirigir-se diretamente ao presidente da República ou ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), hoje chefiado pelo general Augusto Heleno, para pedir a ajuda das Forças de modo a garantir a lei e a ordem. A solicitação dos estados pode envolver o envio de tropas ou apenas equipamentos e meios de transporte. Em quaisquer dos casos, a decisão de atender ou não ao pedido é do presidente.