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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Público fiel se distancia de Bolsonaro, mas ele derrete ainda a conta-gotas

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

17/09/2021 10h53

Nem o 7 de setembro golpista nem a gasolina a 7 reais foram suficientes para nocautear a popularidade de Jair Bolsonaro. O presidente segue ladeira abaixo, mas no ritmo de degrau por degrau.

O Datafolha de ontem mostrou que a reprovação do ex-capitão passou de 51% para 53%, uma oscilação de dois pontos.

Bolsonaro já tomou tombo bem pior.

Em janeiro, a falta de vacinas, a crise de oxigênio em Manaus e o fim do auxílio emergencial jogaram o ex-capitão em um redemoinho de insatisfação que atingiu todas as regiões do país e todas as classes sociais.

Naquele mês, segundo o Datafolha, a avaliação de "ruim e péssimo" do presidente subiu de 32% para 40% — uma piora de oito pontos.

Mas se a queda de Bolsonaro desta vez é menor, isso não deve servir de alívio para ele.

O levantamento do Datafolha mostra que, embora o presidente derreta a conta-gotas, esse derretimento é constante e começa a minar suas fortalezas eleitorais.

As regiões Norte, Centro-Oeste e Sul, em que o ex-capitão é tradicionalmente mais bem avaliado, começam a dar mostras de mau-humor, conforme já havia antecipado esta coluna.

E, para infelicidade de Bolsonaro, o mesmo ocorre com os evangélicos.

Nesse segmento, diz o instituto, a aprovação do ex-capitão desabou oito relevantes pontos — caiu de 37% para 29%.

Em seu livro "O povo de Deus", o antropólogo Juliano Spyer reúne indicadores de que a vitória do ex-capitão nas eleições de 2018 não ocorreria não fosse o maciço apoio que ele recebeu de protestantes — mais especificamente, evangélicos das vertentes pentecostal e neopentecostal, e mais especificamente ainda, o da parcela feminina adepta dessas correntes.

Hoje, a popularidade do presidente está basicamente sustentada pelo tripé formado pelos bolsonaristas-raiz, os eleitores evangélicos e os chamados eleitores do agro —moradores das fronteiras agrícolas beneficiados com a alta do preço das commodities e concentrados nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul.

Embora as duas últimas pontas deem mostras de começar a bambear, na fotografia de hoje, Bolsonaro, com 22% de aprovação, continua no páreo das eleições de 2022.

Em que estado ele chegará para disputá-las, no entanto, dependerá do ritmo que pingar o conta-gotas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL