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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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Definido o novo ministro, Moraes decidirá se vai para "turma da Lava Jato"

O ministro Alexandre de Moraes: sem pressa para matar - Reprodução/Nelson Jr./SCO/STF
O ministro Alexandre de Moraes: sem pressa para matar Imagem: Reprodução/Nelson Jr./SCO/STF
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

06/10/2021 11h13

O ministro Alexandre de Moraes não está com pressa para decidir se muda ou não para a Segunda Turma do STF, conhecida como a "turma da Lava Jato" por abrigar a parte que restou dos processos ligados à operação.

Segundo interlocutores do ministro, que atualmente integra a Primeira Turma do tribunal, ele deve esperar a aprovação do nome do novo magistrado para fazer a sua opção.

Do ponto de vista pessoal, a transferência teria prós e contras: se significa participar de um colegiado com ações importantes e de grande repercussão, também implica riscos — como o de fazer com que o ministro, em caso de discordância, entre em rota de colisão com o ferino, e hoje decano do STF, Gilmar Mendes.

A decisão de Moraes é aguardada com apreensão não apenas por políticos enroscados na Lava Jato, mas também pelo clã Bolsonaro.

É na Segunda Turma que está a ação que irá definir se o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, tem direito a foro privilegiado no caso da rachadinha.

Se o julgamento do caso Flávio (adiado no mês passado) ocorresse hoje, muito provavelmente resultaria em empate. Isso porque Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques — dois dos atuais quatro integrantes da Segundo Turma, que tem ainda Ricardo Lewandowski e Edson Fachin— são sabida e declaradamente favoráveis ao pleito do réu, de fazer uso do foro privilegiado a fim de escapar das garras de juízes da primeira instância.

Já a entrada de André Mendonça na Segunda Turma representaria a esperança do clã de contar com um voto de desempate em benefício de Flávio.

E é esse o jogo que Alexandre de Moraes pode melar caso requisite para ele a vaga disponível na turma da Lava Jato. Neste momento, esse lugar pertence ao novato indicado por Bolsonaro. Mas se Moraes formalizar o pedido de transferência à presidência da Corte antes da posse do novo ministro, fica com a cadeira.

A sabatina de André Mendonça, para ansiedade dos Bolsonaro, segue sem data.

Até que ela aconteça, Alexandre de Moraes — que já foi xingado e achincalhado publicamente pelo presidente e seus três filhos mais velhos— seguirá pensando, e palitando os dentes.