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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Centrão já fala em "derrota" de Bolsonaro, mas ainda não cogita deixá-lo

Bolsonaro: para o PP, melhor um cabo eleitoral capenga do que nenhum - Agência Brasil
Bolsonaro: para o PP, melhor um cabo eleitoral capenga do que nenhum Imagem: Agência Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

04/10/2021 11h56Atualizada em 04/10/2021 20h59

Importantes lideranças do bloco do Centrão já falam abertamente na possibilidade de derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Para representantes do PP, uma das principais siglas do bloco, a única forma de o ex-capitão chegar "minimamente competitivo" na disputa é de crescer entre o eleitorado das chamadas classes D e E, onde estão os que vivem entre a pobreza e a extrema pobreza.

Isso porque, na visão desses aliados, a queda no apoio ao presidente no segmento da classe média — iniciada na pandemia e aprofundada com o impacto da inflação sobre o preço dos combustíveis e dos alimentos— já seria irreversível. O último Datafolha mostrou que foi nesse grupo que mais cresceu a rejeição a Bolsonaro, hoje em inéditos 53%.

Mas ainda que o horizonte pareça plúmbeo para o ex-capitão, lideranças do PP não apenas desconsideram abandoná-lo por enquanto como defendem a sua filiação à sigla com base num cálculo simples.

Forte no Nordeste, o PP de Ciro Nogueira praticamente não tem penetração, por exemplo, em São Paulo, onde a aprovação de Bolsonaro se mantém relativamente alta.

Como o que conta para as legendas são as cifras do fundo partidário e eleitoral — e como o valor desses fundos depende sobretudo do número de votos para deputados federais que elas conseguem amealhar— a influência do presidente em colégios eleitorais importantes como São Paulo e Rio de Janeiro pode ser determinante para estufar os cofres da sigla, garantindo poder e influência aos seus caciques.

No caso do PP, lideranças calculam que, somando os votos de legenda com a força de puxadores de voto como os deputados Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos do PSL, mais candidatos certos a migrar para o PP junto com o ex-capitão, o partido conseguiria aumentar em até um terço a sua bancada na Câmara, hoje de 42 parlamentares.

Num momento em que o PSL se une ao DEM para formar um superpartido e o PSD se prepara para entrar em campo com um candidato à Presidência, ter em seus quadros um presidente da República, ainda que capenga, é o melhor que o PP pode querer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL