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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Moro mira Planalto para acertar Senado: candidatura irá só "até aonde der"

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

10/11/2021 11h10

Com sua filiação ao Podemos, o ex-ministro Sergio Moro lança hoje a pedra fundamental para concorrer à Presidência da República. Pessoas próximas do ex-juiz em São Paulo e Washington, porém, afirmam que ele levará a sua candidatura apenas "até aonde der" — ou seja, até perto de esgotar o prazo para que se inscreva a uma vaga no Senado, sua real pretensão eleitoral.

A pré-candidatura ao Planalto, quando anunciada, servirá não apenas para alavancar a campanha do ex-juiz para o parlamento, mas também para aumentar a densidade do seu nome como cabo eleitoral de um outro nome identificado com a terceira via. Moro, dizem amigos, considera que o seu próprio caminho para a Presidência tem pedras demais.

Algumas delas: o ex-juiz se encontra espremido entre a rejeição dos bolsonaristas, que o veem como um "traidor", e a dos petistas, que o detestam por razões históricas, epitomizadas pela prisão de seu líder máximo.

Assim, o que Moro tem hoje são 10% de apoiadores fieis — um eleitorado não apenas insuficiente para colocá-lo no segundo turno como ameaçado por sérias limitações de crescimento.

Ao contrário de outros potenciais candidatos à Presidência, como Eduardo Leite (PSDB) e Rodrigo Pacheco (PSD), Moro, além de já ser amplamente conhecido (o que diminui suas chances de conquistar novos segmentos), está solidamente associado a uma imagem.

É o juiz da Lava Jato — o que, hoje, não é necessariamente um ativo.

Fosse na eleição de 2018, a marca poderia levá-lo à vitória até mesmo em primeiro turno, aposta um pesquisador que acompanhou a campanha. Era uma época em que o eleitorado ansiava por um nome distante da política tradicional e via no combate à corrupção uma prioridade.

Não é mais o caso.

O tema que deverá pautar a campanha presidencial de 2022 não será mais a corrupção, mas a economia, assunto sobre o qual o ex-juiz da Lava Jato tem pouco ou nada a dizer. Pior: para Moro, qualquer tentativa de trocar a imagem consolidada por uma nova — seja a de "pai dos pobres" ou "defensor da responsabilidade fiscal"— soaria a essa altura artificial.

Quem conhece a personalidade do ex-ministro afirma que ele é muito mais afeito a uma campanha sem grandes emoções ou sobressaltos, bancada por um modesto fundo eleitoral e destinada a lhe prover de um cargo com direito a muitos assessores, 60 dias de férias e oito anos de duração.

Moro não gostou do setor privado e o contrário também é verdadeiro. Se levar a ferro e fogo uma candidatura à Presidência e perder, sabe que não sobrará nada para ele.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL