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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

União Brasil deixa terceira via e Bivar é chamado de "traidor" 

Luciano Bivar, presidente do União Brasil, entra na pista, com seu cofrinho e sem "duas bolas de ferro" no pé - Pedro Ladeira/Folhapress
Luciano Bivar, presidente do União Brasil, entra na pista, com seu cofrinho e sem "duas bolas de ferro" no pé Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

28/04/2022 12h05

A terceira via explodiu e os cacos sobraram para o União Brasil e seu presidente, Luciano Bivar.

Lideranças tucanas e do MDB — partido com o qual Bivar chegou a anunciar no início do mês que sua sigla iria se federalizar— agora acusam o cacique do União Brasil de ter traído o grupo para ficar a serviço das candidaturas Lula e Bolsonaro.

Mais de Bolsonaro do que Lula, como sugeriu a simbólica inclusão de última hora do deputado Elmar Nascimento na reunião de terça-feira em que o União Brasil comunicou aos demais partidos sua saída do grupo.

Elmar, líder da bancada do União Brasil na Câmara Federal, é unha e carne com o presidente da Casa, Arthur Lira, aliado do governo Bolsonaro. É também próximo de ACM Neto, secretário-geral do União Brasil, que, na corrida pelo governo da Bahia, tem como adversário principal Jerônimo Rodrigues, um petista.

Como a candidatura de Jerônimo Rodrigues é apoiada no estado pelo MDB de Simone Tebet, estava configurada a "questão Bahia": o União Brasil de ACM Neto não poderia apoiar a emedebista Tebet como pré-candidata única da terceira via à Presidência se o partido da senadora, na Bahia, está com Lula.

Além da "questão Bahia", pesou na retirada do União Brasil do grupo da terceira via a vontade de Bivar de ser candidato à Presidência e não a vice de Tebet, como era o cenário mais aceito no grupo. E reside sobretudo neste ponto as críticas, veladas e públicas, que os líderes dos partidos abandonados agora dirigem ao cacique do União Brasil.

Bivar, dizem eles, se deixou levar pela vaidade e não pensou no interesse público nem nacional ao deixar o grupo — levando junto seu abarrotado cofrinho cheio de minutos de propaganda na TV e dinheiro do fundo partidário.

Bivar refuta as acusações de que abandonou a ideia de brigar contra a polarização. "Vamos continuar nos contrapondo a ela, de maneira firme e com a convicção de que nossa candidatura pelo União Brasil é uma alternativa viável para defender o Brasil e o estado de direito".

E se o leitor está enfastiado com a novela da terceira via, não é o único.

Segundo a série de pesquisas da Genail/Quaest, em julho do ano passado, quase um terço dos eleitores brasileiros (31%) queria votar num candidato que não fosse Lula nem Bolsonaro.

Em março deste ano, essa porcentagem havia caído para 25%.

Na última pesquisa do instituto, no início deste mês, apenas 17% dos eleitores disseram ter a intenção de votar em um candidato que não fosse o petista nem o presidente.

No auto-intitulado, e agora esfacelado, centro democrático, restaram agora os nomes de João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB) para encabeçar a chapa única a ser anunciada no dia 18 de maio — se é que ainda haverá chapa única, e se é que haverá eleitores para ela.