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Vicente Toledo

Recursos de Trump à Justiça tumultuam, mas não mudam resultado da eleição

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Vicente Toledo

O jornalista Vicente Toledo começou sua carreira em 2000 no UOL, onde foi redator, repórter, vídeo reporter, apresentador e editor assistente. Participou das coberturas especiais da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, das Eleições Presidenciais, em 2006, e dos Jogos Pan-Americanos de 2003, em Santo Domingo, e 2007, no Rio de Janeiro, dentre outros grandes eventos. Apresentou programas da TV UOL como a "Tabelinha", com Juca Kfouri, e o "Pit Stop", com Fábio Seixas. Após 12 anos como editor na Microsoft, incluindo passagens por Canadá e Estados Unidos, retorna ao UOL para contribuir com a cobertura das eleições presidenciais norte-americanas.

Colunista do UOL

09/11/2020 17h02

Donald Trump nunca escondeu seu plano B em caso de derrota para Joe Biden nas urnas: perseguir "remédios legais" para a eleição, como aconselhou seu genro Jared Kushner, segundo o site "Axios".

Com uma maioria folgada de 6 a 3 na Suprema Corte dos Estados Unidos, incluindo três juízes indicados por ele, o presidente tenta emplacar alguma denúncia de fraude eleitoral ou irregularidade na apuração dos votos.

A estratégia de Trump e seus aliados para virar a eleição é bombardear a Justiça com processos em vários estados e esperar que um ou mais desses casos cheguem à Suprema Corte.

Mas por enquanto as ações judiciais iniciadas pelos apoiadores do presidente não alegam fraude em larga escala ou conspiração para alterar o resultado da eleição, ao contrário do que diz Trump no Twitter.

Donald Trump vai à Justiça para tentar reverter derrota para Joe Biden - Mandel Ngan/AFP - Mandel Ngan/AFP
Donald Trump vai à Justiça para tentar reverter derrota para Joe Biden
Imagem: Mandel Ngan/AFP

Em vez disso, os republicanos têm feito denúncias menores, com o objetivo de atrasar a apuração ou afetar uma parcela muito pequena dos votos.

Mesmo assim, os resultados nos tribunais não vêm sendo favoráveis a Trump, principalmente pela falta de evidências para corroborar suas alegações, mas também pela fragilidade das acusações.

Contorcionismo jurídico

Na Pensilvânia, os republicanos recorreram à Justiça pedindo a paralisação da contagem dos votos, alegando que seus observadores foram impedidos de entrar nas salas onde os votos eram contabilizados.

Como a denúncia não era verdadeira, o advogado do presidente precisou se contorcer diante do juiz, admitindo que o Partido Republicano tinha "um número que não era zero de pessoas na sala".

"Então, qual é o seu problema?", perguntou o juiz federal Paul S. Diamond, negando o pedido para parar a contagem dos votos.

No sábado, o advogado de Trump, Rudolph Giuliani, prometeu entrar com nova ação judicial nesta segunda-feira alegando irregularidades em larga escala na Pensilvânia.

"Vamos entrar com muitos casos. Alguns grandes, alguns pequenos. Eventualmente, este vai ser um caso grande", disse em uma bizarra coletiva de imprensa improvisada no estacionamento de uma empresa de paisagismo na Filadélfia.

Republicanos viram memes

Além de não apresentar nenhuma evidência de fraude, a coletiva de Giuliani ainda virou motivo de piadas e memes nas redes sociais graças ao local escolhido para o evento: o estacionamento da empresa de paisagismo Four Seasons Total Landscaping, na Filadélfia.

Não ficou claro se a escolha do local foi deliberada ou acidental da equipe de Trump, já que o hotel Four Seasons da cidade parece ser mais adequado para receber esse tipo de evento.

No Arizona, eleitores conservadores recorreram à Justiça para garantir que seus votos sejam contados no caso conhecido como "Sharpiegate" (algo como "canetinhagate"). Informações falsas circularam no estado alegando que votos feitos com "Sharpies", canetas marcadoras de texto, seriam invalidados, obrigando autoridades eleitorais a confirmar publicamente que os votos foram contados.

O grupo de eleitores então retirou seu processo, mas a campanha de Trump já anunciou que pretende usar alguns elementos dessa denúncia em outra ação judicial no estado pedindo recontagem manual de votos.

Michigan e Nevada

Em Michigan, outro estado que Joe Biden venceu graças aos votos enviados pelo correio, os aliados do presidente pediram para um juiz interromper a contagem de votos pelo correio. Isso porque uma observadora republicana disse ter recebido um bilhete de papel de um dos mesários, revelando que votos atrasados estavam sendo contados incorretamente. Mas ela não identificou o mesário e não apresentou nenhuma prova.

Já em Nevada, o alvo dos republicanos é o voto remoto, feito por pessoas que moram fora do estado. Aliados de Trump alegam que mais de 9 mil pessoas votaram de forma ilegal na eleição e têm uma lista de nomes de eleitores que supostamente mudaram de estado.

Oficiais locais, no entanto, vêm alertando que a lei eleitoral do estado permite que algumas pessoas votem em Nevada enquanto estiverem morando em outro estado: estudantes, militares e suas famílias.

Votos tardios estão guardados, mas valem cada vez menos

Mesmo quando conseguiu uma rara vitória nos tribunais, Trump não teve muito o que comemorar. Seu processo mais bem sucedido até agora é na Pensilvânia, onde contesta votos enviados pelo correio que chegaram depois do dia da eleição.

Um juiz da Suprema Corte ordenou que esses votos sejam separados dos demais, como pediu o presidente. Mas não acatou o pedido de paralisação da contagem, pois ela afetaria outras eleições em disputa no estado. Além disso, com a vantagem de Biden acima de 40 mil votos e crescendo, o destino desses votos não deve alterar o resultado da eleição.

O desespero para encontrar um caso capaz de salvar Trump é tanto que a campanha do presidente criou até um "disque denúncia" para receber dicas sobre possíveis casos de fraude eleitoral. Mas o número vem sendo bombardeado com trotes, muitos deles indo parar no TikTok.