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Wálter Maierovitch

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Câncer de Putin. Cirurgia realizada em abril. Furo da Newsweek

Vladimir Putin, presidente da Rússia - Getty Images
Vladimir Putin, presidente da Rússia Imagem: Getty Images
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Wálter Maierovitch

Wálter Fanganiello Maierovitch é magistrado de carreira. Aposentou-se como desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Como juiz, especializou-se na área constitucional-processual e nos direitos penal e penitenciário. Tem inúmeros artigos publicados e no campo do direito penal dedicou-se ao tema da criminalidade organizada transnacional. Pela colaboração com a Itália no tema criminalidade mafiosa recebeu do presidente da República Oscar Luigi Scalfaro e do premier Romano Prodi a comenda de Cavaliere della Repubblica. Na Magistratura foi juiz eleitoral e juiz do Tribunal Regional Eleitoral com sede em São Paulo. Foi o primeiro secretario nacional para o fenômeno das drogas ilícitas junto ao gabinete da Presidência da República: governo Fernando Henrique Cardoso. Como perito e observador atuou em Assembléia Especial das Nações Unidas para as convenções sobre drogas proibidas. Atuou e auxiliou, também, nos trabalhos da Convenção da Organização das Nações Unidas de contraste à Criminalidade Transnacional (Convenção de Palermo). Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo, turma de 1971. É professor emérito de direito penal e de direito processual penal. Foi do Conselho Diretor da Escola Paulista da Magistratura e como convidado ministra aulas na Escola Superior do Ministério Público de São Paulo. Por dez anos dedicou-se, como professor, a cursos de preparação para ingressos à Magistratura e ao Ministério Público. Tem três livros publicados. A sua última obra acabou de ser lançada (maio de 2021) pela Editora Unesp. Título: Máfia, Poder e Antimáfia ?um olhar pessoal sobre uma longa e sangrenta história. Já foi articulista semanal da revista Carta Capital, de 2001 a 2017. É comentarista do quadro Justiça e Cidadania da Rádio CBN desde 2002. Foi representante do Brasil junto a OEA-CICAD, ONU-UNDCP e União Européia com relação aos temas drogas ilícitas e criminalidade: governo FHC.

Colunista do UOL

05/06/2022 14h59Atualizada em 05/06/2022 15h01

Hoje, o semanal Newsweek informa sobre o câncer avançado de Putin e a cirurgia de extração do tumor dada como ocorrida em abril passado. Mas não parou aí.

A primeira vez que circulou a notícia sobre Putin estar acometido de câncer, o ministro de relações exteriores, Serghej Lavrov, negou peremptoriamente. Ele frisou: " basta atentar para a aparência do presidente Putin para perceber tratar-se de boato".

Completados 100 dias do início da invasão russa, - "a operação militar especial" transformada em guerra e que Putin achou que seria muito breve e fácil —, correm, como rastílho de pólvora e mundo afora, três informações dos 007 dos EUA obtidas pelo Newsweek.

A mais bombástica refere-se ao câncer e à cirurgia escondida.

A segunda dá conta de um atentado sofrido por Putin, em março passado.

Sobre o frustrado atentado, as três fontes reveladas pelo Newsweek confirmam o contido no boletim produzido e divulgado pela inteligência da Ucrânia. O boletim leva a assinatura de Kyrlo Budanov, chefe da inteligência da Ucrânia.

O terceiro dado secreto vazado fala de um crescente isolamento de Putin, que, pela doença avançada, estaria com o fim próximo.

As fontes da Newsweek são: Direção Nacional de Inteligência dos EUA; inteligência da Aeronáutica norte-americana; Agência de Inteligência da Defesa dos EUA.

Por outro lado e na Europa, especula-se sofre efeitos dos químicos usados no tratamento de Putin, a mudar os seus humores e a gerar desiquilíbrio psicológico.

No mundo real, palpável, são sentidos os efeitos da guerra na Ucrânia. E diplomatas se esforçam para conseguir propostas a colocar fim à guerra.
Pelo que se percebe, Putin não quer conquistar apenas o leste e o litoral, exceção, talvez, a Odessa. Na madrugada, Kiev voltou a ser bombardeada.

Os alimentos já escasseiam, os preços dispararam, os insumos tiveram oferta reduzida. O último pacote da União Europeia, sobre redução de compra de petróleo russo, sufoca não só a Rússia. E o gás russo, para aquecer o inverno europeu ( a estação atual é primaveril), poderá faltar. Na Finlândia, por exemplo, os russos já cortaram o fornecimento de gás.

Ontem, os ucranianos se desesperaram em face dos ataques russos na região separista de Donbas. Fala-se em 600 soldados ucranianos mortos por dia e ter a munição chegado ao fim.

Pano rápido. Os especialistas em geoestratégia e geoeconomia avisam que a guerra precisa chegar ao fim. Os dois lados estão perdendo. Não haveria vencedor. Já os humanistas, — com sensibilidade e razão —, apontam, com amargura, pelo preço alto, em termos de vidas humanas perdidas.