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Pesquisador agiu certo ao não mostrar questionário de pesquisa eleitoral

ARte/UOL Rio Data Folha
Imagem: ARte/UOL Rio Data Folha

Do UOL, em São Paulo

23/08/2018 21h36

Em vídeo que está sendo compartilhado nas redes sociais, um homem denuncia pesquisa do Datafolha e diz que ela foi fraudada porque o pesquisador se recusou a mostrar o questionário. A acusação não procede. De acordo com o instituto, o pesquisador agiu corretamente, e não houve fraude.

O vídeo foi gravado no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 7 de junho, quando a pesquisa foi realizada. Na gravação, um homem, que apesar de mostrar o rosto, não se identifica, acusa o entrevistador de fraude. “Foi anulada agora a pesquisa Datafolha porque foi negada a informação de eu ler as perguntas", diz ele. E questiona: "como é que eu posso dar credibilidade a uma pesquisa onde eu não posso ler as perguntas?”.

Enquanto fala para a câmera, o homem grava também o funcionário do instituto. O pesquisador tenta esconder o rosto e, em um momento do vídeo, explica que o questionário não pode ser lido pelo entrevistado.

A metodologia da pesquisa não permite que os entrevistados leiam as perguntas antes para que o resultado seja considerado válido. De acordo com o site do Datafolha, “o questionário é o principal instrumento das pesquisas e a ordem das perguntas pode influenciar as respostas dos entrevistados”.

O questionário foi publicado no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), como manda a lei, quando a pesquisa foi registrada. O registro foi feito em 4 de junho, recebeu o número BR-05110/2018 e pode ser consultado por qualquer pessoa.

O projeto Comprova entrou em contato com o Datafolha, que confirmou que o entrevistador fazia pesquisa para o Instituto. Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, afirmou que o profissional agiu corretamente ao se recusar a mostrar o questionário ao entrevistado.

O Comprova também questionou o Datafolha sobre o horário da pesquisa. No vídeo, gravado em lugar aberto, o céu está escuro. Paulino explicou que os pesquisadores precisam fazer pesquisas durante manhã, tarde e começo de noite porque o comportamento dos transeuntes muda. Cada entrevistador sai para pesquisa com uma grade de pessoas que precisa abordar.

A gravação foi feita no início de junho mas voltou a ser compartilhada nas redes após a divulgação, nesta quarta-feira (22), do mais recente levantamento do Datafolha.

O vídeo foi compartilhado pela primeira vez na página MBCC (Movimento Brasil Contra a Corrupção) no dia 8 de junho. A publicação pela página Rio Conservador nesta quarta já contava com mais de 400 mil visualizações e 30 mil compartilhamentos. “Funcionário de instituto de pesquisa é pego em flagrante tentando manobrar pesquisa eleitoral. Eles estão fazendo de tudo para evitar a vitória de Bolsonaro”, diz texto que acompanha o vídeo.

A acusação foi verificada pela “Folha de S.Paulo” e pelo jornal “O Povo”, além do UOL e do jornal “O Estado de S.Paulo”, todos integrantes do projeto Comprova.

O Comprova é um projeto integrado por 24 veículos de imprensa brasileiros que descobre, investiga e explica rumores, conteúdo forjado e táticas de manipulação associados a políticas públicas. Envie sua pergunta ou denúncia de boato pelo WhatsApp 11 97795 0022.

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