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Apesar de mensagens, não há greve de caminhoneiros confirmada para dia 30

Arte UOL/Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Imagem: Arte UOL/Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-03-26T04:01:00

26/03/2019 04h01

Neste mês começaram a circular mensagens pela internet afirmando que haverá uma nova paralisação geral dos caminhoneiros no dia 30 de março, próximo sábado.

A suposta greve seria posta em prática por caminhoneiros autônomos de todo o Brasil em um movimento semelhante à greve geral de maio de 2018.

"Se o Disel [sic] não baixar o Brasil vai parar. Greve já", diz uma das páginas que apoia a paralisação.

Não há paralisação marcada por lideranças da categoria

Entre lideranças da categoria, no entanto, não há greve marcada, só uma carreata no Paraná.

A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), uma das instituições que liderou a greve no ano passado, nega ter articulado nenhuma paralisação para o próximo domingo.

"O movimento previsto para o próximo dia 30 de março é uma ação encabeçada pelo Sindicato de São José dos Pinhais [PR], coligado à Confederação, e se trata apenas de uma carreata com o intuito de chamar a atenção do governo sobre a insatisfação dos caminhoneiros pelo não cumprimento da Lei do Piso Mínimo do Frete", afirmou a instituição em mensagem enviada ao UOL.

Por meio de nota, a Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) também afirmou que não detectou uma proposta de paralisação entre seus membros e nem convocou uma nova greve geral.

"De fato, por meio de monitoramento de redes sociais, grupos de WhatsApp e conversas com diversas lideranças da categoria, não havia sido encontrado qualquer sinal de organização dos caminhoneiros com o objetivo de realizar uma nova greve", declarou, por meio do comunicado, José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam e uma das lideranças da greve de 2018.

Caminhoneiros se dizem insatisfeitos com novo governo

Apesar de não ter greve marcada, as instituições ressaltam que os caminhoneiros estão insatisfeitos com a postura do governo atual quanto à classe, o que pode refletir em uma paralisação no futuro.

"São inúmeros telefonemas e mensagens de insatisfação com o atual piso mínimo de frete, bem como a falta de fiscalização para o seu cumprimento", afirma Lopes, em sua nota. "A Abcam vem percebendo uma insatisfação muito grande da categoria o que pode refletir em uma possível nova paralisação."

O UOL também recebeu vídeos de motoristas independentes reclamando da situação e pedindo uma paralisação. A reportagem não conseguiu, porém, estimar a amplitude com que estes vídeos estão sendo divulgados.

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