PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Melhor IDH entre capitais, Florianópolis vai bem em educação e renda, mas falta saúde de ponta

Clique na imagem e confira o Índice de Desenvolvimento Humano da sua cidade; infográfico traz dados de educação, renda e longevidade em 1991, 2000 e 2010 - Arte UOL
Clique na imagem e confira o Índice de Desenvolvimento Humano da sua cidade; infográfico traz dados de educação, renda e longevidade em 1991, 2000 e 2010 Imagem: Arte UOL

Renan Antunes

Do UOL, em Florianópolis

30/07/2013 06h00

Florianópolis é a capital com a melhor colocação no ranking do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano dos Municipal) divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) nesta segunda-feira. A cidade é também a terceira colocada no índice geral – só perde para as paulistas São Caetano do Sul e Águas de São Pedro.

Uma análise dos três indicadores que formam o índice – educação, saúde e renda – mostra que a capital vai bem em  todos, mas derrapa em algumas áreas da saúde.

Florianópolis tem UPAs (unidades de pronto atendimento) da prefeitura bem equipadas e com boa capacidade de atendimento, aliviando a rede de emergência dos hospitais – apesar de casos pontuais de gente que passa horas aguardando por médicos.

As dez cidades com os melhores IDHs de Santa Catarina

Ranking do IDH das cidades no Brasil

CidadePontuação no IDHM
São Caetano do Sul (SP)0,862
Águas de São Pedro (SP)0,854
Florianópolis (SC)0,847
Vitória (ES)0,845
Balneário Camboriú (SC)0,845
Santos (SP)0,840
Niterói (RJ)0,837
Joaçaba (SC)0,827
Brasília (DF)0,824
Curitiba (PR)0,823
  • Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013

No entanto, faltam à cidade instituições de medicina de ponta. Na semana passada,  jornais fizeram campanha para tirar da cidade um bebê que precisava uma cirurgia cardíaca que o melhor hospital infantil não oferecia – ele acabou sendo operado na pequena Campo Largo (PR). O centro de referência em neurologia do Hospital Celso Ramos usa medidores de pressão cerebral nos pacientes acidentados em rodízio, por falta do equipamento para todos.

No área de saúde, Floripa tem centenas de professores de pilates, dezenas de academias e lugares que oferecem atendimentos de medicina alternativa. Também está na moda na cidade realizar o nascimento de bebês em casa – uma empresária do ramo imobiliário trouxe a doula (espécie de parteira) que fez o parto da modelo Gisele Bündchen para também ter seu filho em casa, no Rio Tavares. 

O gerente do Banco do Brasil Luis Guilherme Menezes 29, pediu transferência de Brasília para Floripa e elogia a cidade. Ele procura andar sempre de bicicleta, mas reclama da falta de ciclovias. "É só do que a cidade precisa para completar um projeto saúde."

Educação

Em 2012 o Ideb da capital catarinense foi o melhor do Brasil - 56% das escolas avaliadas pelo Ministério da Educação atingiram média entre 6 e 6,6 (a meta para o ano de 2019 era de 6,1, mas já foi superada), segundo dados da Secretaria Municipal de Educação.

As escolas municipais devem ter influído na boa pontuação do IDH. A rede municipal tem quase 30 mil alunos em 106 unidades de creches, núcleos infantis e escolas básicas.

O atendimento de instituições como o NEI São João Batista, a creche Lausimar Laus e a creche de Carianos é elogiado por pais – até mesmo famílias da classe A optam pela rede municipal.

Há, claro, problemas na rede municipal tem problemas, como bem denunciou a estudante blogueira Isadora Faber.

A escola de Isadora só funciona 200 dias por ano e tem greve todo semestre. Já na rede particular, existem escolas alternativas como Sarapiquá, na Lagoa, e a American School, no bairro nobre de Jurerê.

Entenda o que é e como é calculado
o IDH dos municípios

  • Arte/UOL

Renda

Segundo a Associação Comercial de Florianópolis, a cidade tem 135 mil pessoal, de um total de 450 mil habitantes, na classe A. 

No entanto, a riqueza da população por vezes se torna um problema: os supermercados são mais altos – um litro de leite, por exemplo, custa o dobro do que vale em Porto Alegre.

Cinco shoppings servem aos florianopolitanos, um deles tão grande que o pessoal tem que usar carrinhos para circular lá dentro. Uma rede internacional recém abriu sua primeira filial na ilha.

A cidade que teve como motor de seu desenvolvimento os salários do funcionalismo público, hoje tem um setor forte nas empresas de TI, cuja renda é superior a do turismo, que completa um tripé.

O dinheiro circula também entre os pescadores. Eles desenvolverem uma forte produção de ostras e mariscos (90% da nacional), gerando riqueza na beira das praias.

No setor de serviços, uma padaria da badalada Lagoa da Conceição consegue trazer um padeiro de Lisboa e pagar salário de 10 mil mensais.

O casal de professores paulistanos Kátia, 69 anos, aposentada da USP, e Fernando Primavera, ex-membro do CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica) estão vivendo em Floripa há 7 anos. Ela diz que veio "pelo ar puro, paz e sossego". O casal mora no bairro Rio Vermelho, entre muito verde. Fernando conta que "o acesso à alimentação natural é muito grande, tudo é fresco por aqui". Ele disse que caminhadas e comida natural o fizeram perder peso e melhorar do diabetes e da pressão alta.

Cotidiano