PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Público se desespera com gás lacrimogêneo no Rio; criança é ferida

Hanrrikson de Andrade e Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

07/09/2013 11h41Atualizada em 07/09/2013 17h38

Durante os confrontos entre polícia e manifestantes nas comemorações ao Dia da Independência, no Rio de Janeiro, o público que assistia ao desfile foi atingido por gás lacrimogêneo e deixou o local em pânico. Segundo a Polícia Militar, 24 pessoas foram detidas até as 14h. 

VOCÊ MANDA

  • Carlos Sodré/Vc Manda/UOL

    O internauta Carlos Sodré fotografou confronto entre a Tropa de Choque e manifestantes em frente à Prefeitura de Belém

Por volta das 10h15, homens da Tropa de Choque lançaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que invadiram o desfile. No entanto, os artefatos acabaram caindo próximo ao público, e o gás invadiu as arquibancadas. Muitas pessoas, incluindo crianças, idosos e mulheres, passaram mal e foram atendidas por socorristas voluntários.

No hospital Municipal Souza Aguiar, 13 pessoas foram atendidas, entre elas uma criança de seis anos com escoriações na cabeça. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a criança já saiu do hospital, assim como outros nove atendidos. Outras três foram atendidas no local, e uma mulher não quis ser socorrida.

A Polícia Civil fez sete registros em duas delegacias da região central com os detidos enviados pela PM.

Fotógrafos dos jornais Estadão e O Dia foram feridos, sendo que o primeiro, identificado como Marcos de Paula, teve uma queimadura no braço causada por uma bomba de gás. Alessandro Costa, de O Dia, levou um chute de um PM. Já o repórter do jornal "A Nova Democracia", Patrick Granja, recebeu voz de prisão de um policial militar após acusá-lo de agressão.

Por volta das 13h45, um produtor da GloboNews que fazia a transmissão do protesto por celular foi agredido por manifestantes black blocks (grupo anarquista que organizou algumas manifestações e é conhecido por usar máscaras). Júlio Molica levou um chute, foi perseguido e atingido por um objeto na cabeça contendo tinta vermelha. Ele foi escoltado por integrantes do DDH (Instituto de Defesa dos Direitos Humanos) e em seguida retirado da avenida Presidente Vargas em uma viatura da PM. Os manifestantes entoavam gritos de guerra contra a Rede Globo.

Homens da Polícia do Exército chegaram a se juntar aos PMs, porém não houve ação por parte dos representantes das Forças Armadas.

A ação da Tropa de Choque para dispersar os black blocs ocorreu depois que os homens do batalhão foram aplaudidos pelo público que acompanhava o desfile da Independência nas arquibancadas. Curiosamente, segundos após a ovação, os populares viveram momentos de pânico em função da correria e do efeito das bombas de gás.

No ápice da confusão, um homem saiu correndo das arquibancadas com o filho no colo. A criança chorava de forma desesperada, aparentemente sentindo a ardência nos olhos provocada pelo gás lacrimogêneo.

Enquanto o desfile dos militares continuava, os black blocs se dividiram em pequenos grupos. Alguns jovens seguiram pela avenida Presidente Vargas em direção à sede da Prefeitura do Rio, mas não há registro de confusão no local. Outros caminharam para a Praça Tiradentes, onde se reagruparam e seguiram para a Lapa.

As pessoas que se autodenominam "black blocs" são conhecidas por atuar na linha de frente das manifestações públicas que se espalharam pela cidade. Para a polícia e o governo do Estado, o grupo anarquista é responsável pelas várias cenas de vandalismo que ocorreram nos protestos. Na quarta (4), líderes foram presos por suspeita de vandalismo, no Rio. No dia 3, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou a identificação criminal de pessoas que estejam usando máscaras durante manifestações públicas no Rio de Janeiro. 

Mais cedo, houve um breve confronto na frente do 5º BPM (Praça Tiradentes). Bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral foram lançadas por policiais que protegiam a entrada do batalhão.

De acordo com um PM, o confronto começou porque um jovem não identificado teria jogado um artefato explosivo conhecido como "cabeção de nego" dentro do batalhão. A reportagem do UOL, no entanto, estava presente no momento da ação da Polícia Militar e não presenciou a cena relatada pelo agente.

Os manifestantes correram em direção às ruas do Lavradio e dos Inválidos, na Lapa. Durante a fuga, um manifestante que não estava mascarado depredou uma agência do Itaú.

Às 10h, a Tropa de Choque chegou em peso ao local da confusão, e os manifestantes se dividiram.

Cotidiano