O que se sabe sobre o rompimento das barragens em Mariana (MG)

Do UOL, em São Paulo e em Mariana (MG)

  • Neno Vianna/EFE

    Bento Rodrigues foi tomado pela lama que saiu das barragens e ficou devastado

    Bento Rodrigues foi tomado pela lama que saiu das barragens e ficou devastado

Algumas perguntas sobre o acidente com duas barragens em Mariana, no interior de Minas Gerais, permanecem sem resposta. Mas outras questões já estão claras. Veja o que se sabe até o momento sobre a tragédia:

1 - Onde ficam e quais são as barragens que se romperam?
A barragem que rompeu foi a do Fundão, que acabou danificando a barragem de Santarém, ambas ficam no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município de Mariana, cidade histórica mineira a 124 km de distância de Belo Horizonte.

Arte/UOL

2 - A quem pertencem as barragens?
À mineradora Samarco, empresa fundada em 1977 que produz pequenas bolas de minério de ferro usadas na produção de aço. A Samarco é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Ela opera em Minas Gerais e no Espírito Santo e é a 10ª maior exportadora do país. Após a tragédia, a empresa suspendeu as atividades de mineração na região. O governo de Minas embargou o licenciamento de funcionamento da empresa, que não pode extrair minério até o cumprimento de exigências de segurança.

3 - O que as barragens continham? 
Lama resultante do rejeito da produção de minério de ferro. De acordo com a Samarco, o rejeito é composto, em sua maior parte, por areia e não apresenta nenhum elemento químico danoso à saúde. Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a lama é composta principalmente por óxido de ferro e areia. A Vale também despejou rejeitos de outra mina, a Alegria, na região.

A equipe técnica do Ministério Público coletou amostras da lama da barragem para verificar se ela é tóxica ou não. O parecer sobre a tragédia deve ficar pronto no começo de dezembro.

4 - Quando as barragens se romperam?
Na tarde do dia 5, uma quinta-feira, por volta de 15h30. A barragem do Fundão, que é maior, se rompeu e transbordou para a de Santarém, na mesma região.

5 - Qual o volume de lama que vazou?
De acordo com o Ibama, o volume extravasado foi estimado em 50 milhões de metros cúbicos, quantidade que encheria 20 mil piscinas olímpicas. 

6 - O que aconteceu com o subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana?
Foi tomado pela lama que saiu das barragens e ficou devastado. A avalanche destruiu a maioria dos imóveis. Mais de 600 pessoas ficaram desabrigadas e foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Eles abandonaram as casas e fugiram para partes altas do distrito, mas afirmaram que nenhum sinal de alerta foi emitido. A Samarco admitiu que avisou moradores somente por telefone. Ainda assim na lista havia apenas telefones públicos, nenhum de morador, e muitos desatualizados. O governo federal liberou o saque do FGTS aos atingidos pelo desastre.

7 - Outras localidades foram afetadas?
Sim. Seis localidades de Mariana, além de Bento Rodrigues, foram atingidas. O detrito das barragens tomou conta, por exemplo, do rio Gualaxo e chegou ao município de Barra Longa, a 60 km de Mariana e a 215 km de Belo Horizonte. 

Como a lama também chegou ao rio Doce, o abastecimento de água foi interrompido em municípios mineiros como Governador Valadares e em municípios do Espírito Santo.

8 - Quantas pessoas morreram e quantas estão desaparecidas?
Até o momento, 16 corpos foram identificados. As vítimas confirmadas são Emanuele Vitória Fernandes e Tiago Damasceno Santos, crianças moradoras do subdistrito de Bento Rodrigues, e os trabalhadores Cláudio Fiúza, Sileno Narkevicius de Lima, Mateus Márcio Fernandes, Waldemir Aparecido Leandro, Marcos Roberto Xavier, Marcos Aurélio Moura, Samuel Vieira Albino, Ednaldo Oliveira de Assis, Daniel Altamiro de Carvalho, Claudemir Elias dos Santos, Pedro Paulino Lopes, Maria Elisa Lucas, Maria das Graças Celestino Silva  Antônio Prisco de Souza.

 

Há três corpos ainda não identificados, e são três os desaparecidos. Bombeiros estão fazendo varreduras nas áreas atingidas, com o apoio de cães farejadores.

Vídeo mostra rompimento de barragem e desespero

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9 - As barragens estavam regulares?
A barragem do Fundão tinha licença válida até 2019, mas a mina Germano e a barragem de água Santarém estavam com as licenças de operação vencidas desde maio de 2013 e julho de 2013, respectivamente. 

A do Fundão passava por uma obra de alteamento para ampliar sua capacidade. O Ministério Público investiga se a obra tem alguma relação com o acidente.

10 - Quem investiga o que aconteceu?
O Ministério Público de Minas Gerais abriu um inquérito, conduzido por cinco promotores, para apurar as causas e responsabilidades. "Nenhuma barragem se rompe por acaso, isso não é uma fatalidade. Precisamos de rigor nesta apuração", afirmou o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto. A Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável também devem investigar o caso. A Samarco informou que contratou dois especialistas canadenses para ajudar nas investigações.

11 - A mineradora já foi punida?
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aplicou uma multa de R$ 250 milhões. São cinco autos de infração no valor de R$ 50 milhões cada. A Samarco foi autuada por poluir rios, tornar áreas urbanas impróprias para ocupação humana, causar interrupção do abastecimento público de água, lançar resíduos em desacordo com as exigências legais, provocar a morte de animais e a perda da biodiversidade ao longo do rio Doce, colocando em risco à saúde humana.

A presidente Dilma Rousseff (PT) classificou a multa como preliminar, dando a entender que outras punições podem acontecer. O Ibama informou que os dirigentes da Samarco foram notificados e terão 20 dias para pagar as multas com 30% de desconto ou recorrer administrativamente.

A Samarco firmou um acordo com o Ministério Público para destinar ao menos R$ 1 bilhão para o pagamento das medidas emergenciais

12 - A lama atingiu o mar?
Sim. A lama seguiu pelo rio Doce, passando por várias cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. No município capixaba de Linhares, ela desembocou no mar

13 - A terra tremeu na região antes dos rompimentos?
Sim. A USP (Universidade de São Paulo) e a UnB (Universidade de Brasília) detectaram tremores de pequena magnitude na região no começo da tarde de quinta-feira, entre 14h e 15h, antes do rompimento das barragens. Mas ainda não se sabe o que provocou os tremores nem se a tragédia está relacionada a eles. 

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