Mulheres de presos se dividem por facções na porta de Alcaçuz e fazem acusações

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Nísia Floresta (RN)

  • Beto Macário/UOL

    17.jan.2017 - Mulheres de presos acompanham à distância o motim na penitenciária de Alcaçuz, Nísia Floresta (RN)

    17.jan.2017 - Mulheres de presos acompanham à distância o motim na penitenciária de Alcaçuz, Nísia Floresta (RN)

A separação de facções que se vê entre os presos dentro da penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta (RN), está se reproduzindo também do lado de fora da cadeia. As mulheres dos detentos estão em pontos diferentes da unidade, divididas de acordo com o grupo a que pertencem seus maridos. Desde sábado (14), a penitenciária é alvo de uma grande rebelião que já teve 26 mortes.

Enquanto as mulheres dos integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) estão nos fundos do presídio, onde foi improvisada uma tenda, as companheiras de membros de outros grupos ficam ao lado da entrada principal. E as duas turmas dizem que os líderes das facções estão tentando uma saída negociada para evitar um novo conflito sangrento.

Apesar da suposta tentativa de trégua, o clima tenso dos presos se espelha do lado de fora. "Quem começou com isso foram eles [do Sindicato do Crime], que quiseram partir pra cima das visitas no sábado. Eles provocaram, e os nossos maridos só defenderam", disse uma mulher de detento do PCC. "As mulheres lá estão todas armadas, nós aqui estamos desarmadas", alfinetaram as companheiras de outras facções.

O clima de rivalidade fica claro nas palavras das mulheres. "Tem que morrer todos mesmo, não tenho pena nenhuma", disse outra mulher de preso do PCC mais exaltada, sem ser acompanhada --nem recriminada-- por nenhuma colega. O grupo é composto por cerca de 25 mulheres, que contam com apoio de dois homens --que as chamam de cunhadas.

Durante a conversa do UOL com um dos grupos, a Polícia Militar chegou em duas viaturas e iniciou uma varredura no local. Até o momento da saída da reportagem, nada havia sido encontrado.

"Isso só ocorre aqui! A polícia vive dando baculejo [gíria para "inspeção"] aqui. Lá [onde estão as outras esposas], eles não fazem nada! E elas estão armadas", esbravejou uma mulher.

Do outro lado, na entrada principal, as esposas são de presos do chamado Sindicato do Crime e de outras facções com menos força. Elas acusam que toda confusão foi causada pelos integrantes do PCC. 

"Eles há um mês vinham ameaçando nossos maridos, dizendo que iam invadir o pavilhão e matar os presos. Os agentes nada fizeram, e pior: um dia antes fizeram uma vistoria, eles foram e tiraram todas as armas do Pavilhão 4, impedindo que eles se defendessem. Foi tudo armado", afirmou uma mulher de preso.

Elas também atacam as familiares do PCC. "Elas estão defendendo os maridos dela, que atacaram os nossos. Não estão nem doidas de virem para cá. Isso não pode ficar assim, a gente está pedindo que o governo atue e tire os PCC desse presídio. Nossos maridos querem paz", disse.

Já uma mulher de detento do PCC afirmou que os integrantes são contra a transferência. "Vão mandar para onde, se os outros presídios estão dominados pelo Sindicato? Vão mandar para matar? Não vai resolver nada, só vai seguir a guerra".

Mais cedo, um preso que se intitulava ligado ao Sindicato do Crime disse que o pedido do grupo é para que 500 presos do PCC fossem transferidos para evitar uma nova tragédia.

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