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Três pessoas são presas sob suspeita de saquear bens de vítimas de naufrágio no Pará

24.ago-2017 - As equipes que trabalham nas buscas das vítimas do naufrágio da embarcação "Capitão Ribeiro" localizaram mais onze corpos na manhã desta quinta-feira, 24, o que aumenta o número de vítimas fatais para 21. Outras 23 pessoas foram resgatadas com vida e prosseguem as buscas a cinco desaparecidos - MAGDA VROSK / DIVULGAÇÃO / AG. PARÁ  - MAGDA VROSK / DIVULGAÇÃO / AG. PARÁ
Imagem: MAGDA VROSK / DIVULGAÇÃO / AG. PARÁ

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

24/08/2017 19h35Atualizada em 24/08/2017 19h39

Três homens foram presos nesta quinta-feira (24) pela polícia sob suspeita de saquear o barco Capitão Ribeiro. A embarcação naufragou no rio Xingu, na região sudoeste do Pará, na madrugada de quarta (23). O acidente matou ao menos 21 pessoas, dentre crianças, adultos e idosos.

A Segup (Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará) informou que os suspeitos foram flagrados levando malas e outros objetos pessoais pertencentes às vítimas do naufrágio após saquear a embarcação. Eles estão presos na delegacia de Porto de Moz. A embarcação foi ancorada na manhã de hoje nas proximidades da margem do rio Xingu com auxílio de uma balsa da prefeitura de Porto de Moz. Policiais fazem a segurança do barco para que não ocorram novos saques.

Segundo o último boletim da secretaria, pelo menos 21 pessoas morreram e 23 foram resgatadas com vida. As buscas continuam para localizar cinco pessoas desaparecidas. O Corpo de Bombeiros e Defesa Civil estadual coordenam as ações de busca, salvamento e atendimento social às famílias das vítimas do naufrágio na sede da Câmara Municipal de Porto de Moz.

Foram deslocadas três aeronaves do Graesp (Grupamento Aéreo) para Porto de Moz, dois aviões e um helicóptero. As equipes enviadas são compostas por mergulhadores do Corpo de Bombeiros, integrantes do Graesp e do Grupamento Fluvial, além de peritos e representantes da Defesa Civil estadual e municipal. Uma balsa e embarcações da prefeitura, além de três lanchas do Corpo de Bombeiros, estão sendo usadas na operação.

Inicialmente, o Estado havia informado que cerca de 70 pessoas estavam a bordo da embarcação, entretanto, nesta quinta-feira (24), tripulantes informaram à polícia que estavam 48 pessoas a bordo. O Estado trabalha com o número de 49 pessoas a bordo, pois cinco famílias ainda reclamam o desaparecimento de cinco pessoas.

A embarcação Capitão Ribeiro tinha capacidade para até 100 passageiros e fazia a viagem da cidade de Santarém, região oeste do Pará, para Vitória do Xingu. Antes do acidente, o barco fez escala nos municípios de Monte Alegre e Prainha.

Os 11 corpos encontrados nesta quinta-feira, segundo o Corpo de Bombeiros, estavam flutuando no rio Xingu a uma distância de cerca de quatro quilômetros do local onde ocorreu o acidente.

Identificação de corpos ocorre em ginásio

Peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves foram deslocados de Belém e de Altamira para uma força-tarefa para realização da necropsia dos corpos das vítimas do naufrágio. O trabalho de identificação está ocorrendo no ginásio municipal Chico Cruz, em Porto de Moz. Nove corpos já foram liberados para enterro.

Nove vítimas fatais já foram identificadas e liberadas para enterro. São elas: Luciana Pires, 28; Neiva Romano, 18; Maria Duarte, 57; Aurilene Sampaio, 36; Lucivalda Marques Oliveira, 41; Roseane dos Santos Leite, 25;  W.L.O., 56, Orismar Miranda, 61, e  S.H.S.S, de um ano. A décima vítima identificada é o corpo de um homem, conhecido como Sebastião, mas os peritos ainda aguardam, oficialmente, o reconhecimento da família dele.

Dono da embarcação não apareceu para depor

Passageiros relataram que o barco foi atingido por uma tempestade, a estrutura começou a estalar e foi se quebrando. Houve pânico entre os passageiros, que tentaram sair da embarcação antes do naufrágio. O sobrevivente do naufrágio Bruno Costa, 29, relatou que o barco não tinha coletes para todos os passageiros e depois do acidente algumas pessoas que saíram da embarcação não conseguiram se manter boiando na superfície.

O delegado de Porto de Moz, Elcio de Deus, colheu depoimentos de tripulantes e passageiros na tarde desta quinta para descobrir as causas do naufrágio. O proprietário da Almeida e Ribeiro Navegação Ltda, proprietária da embarcação, foi intimado a depor, mas não compareceu à delegacia.

Tornado atingiu barco, dizem sobreviventes

Segundo o delegado, muitos sobreviventes afirmaram que a embarcação foi atingida por uma tromba d’água – fenômeno similar a um tornado. “A tripulação disse ter visto, no horizonte, algo com o formato de um funil, acompanhado de muita chuva e vento forte, e que teria atingido o barco pela popa e o afundado. De acordo com os relatos a embarcação girou e afundou em seguida”, disse o delegado.

A Arcon-PA (Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Público) informou que a empresa não estava legalizada para fazer o transporte de passageiros. O UOL tentou localizar o proprietário da Almeida e Ribeiro Navegação Ltda, mas não conseguiu.

Para facilitar a apuração do caso e o resgate das vítimas, a Segup (Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social) instalou uma sala de situação da Câmara de Vereadores de Porto de Moz.

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