Ex-médico condenado por matar e esquartejar amante é encontrado morto em casa

Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para o UOL

Condenado por matar e esquartejar a amante há 14 anos, o ex-médico Farah Jorge Farah, de 68 anos, foi encontrado morto em sua casa nesta sexta-feira (22), na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. O UOL apurou que a principal suspeita é de que ele tenha cometido suicídio.

Farah estava em prisão domiciliar e deveria voltar à cadeia nesta sexta. Logo após a expedição da ordem judicial, os policiais chamaram pelo ex-médico, mas ninguém respondeu em sua casa. Eles, então, pularam o portão da residência usando uma escada. Um chaveiro abriu a porta e os agentes foram direto para o segundo andar, no quarto de Farah, onde uma música fúnebre ainda tocava.

De acordo com o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, o ex-médico preparou uma espécie de "ritual" antes de morrer. Além de música fúnebre, ele se vestiu de mulher antes de usar um bisturi para cortar "as veias femorais, que passam pela virilha".

"Ele colocou seios de silicone e vestiu uma calça legging antes de se matar", afirmou o delegado ao UOL. A perícia ainda está no local.

O crime pelo qual Farah foi considerado culpado aconteceu em 2003. Na Justiça, ele recebeu uma pena de 14 anos e oito meses de prisão. Na quinta-feira (21), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) acolheu pedido do Ministério Público de São Paulo e determinou a execução provisória da pena do ex-médico, condenado inicialmente a 16 anos de reclusão pelo homicídio duplamente qualificado, pena depois reduzida em um ano quatro meses.

A Sexta Turma do tribunal começou a analisar o pedido em agosto, mas o ministro Sebastião Reis Júnior pediu vistas na ocasião, suspendendo o julgamento, retomado apenas nesta quinta.

Os nove pedaços do corpo esquartejado da amante e paciente foram encontrados dentro de cinco sacos de lixo, guardados no porta-malas do carro de Farah.

Robson Ventura/Folhapress - 30.mai.2007
Farah Jorge Farah, médico condenado pela morte de uma paciente em 2003

Crime

Jorge Farah foi condenado pela morte, esquartejamento e ocultação do cadáver da dona de casa, paciente e amante Maria do Carmo Alves, na época com 46 anos.

O crime aconteceu em 24 de janeiro de 2003 na clínica do ex-cirurgião no bairro de Santana, na zona norte da capital de São Paulo. O corpo, no entanto, só foi encontrado pela polícia dois dias depois no porta-malas do carro do réu, na garagem do prédio onde morava, também na zona norte.

A defesa de Farah não negava que ele tinha matado Maria do Carmo, mas alegava que ele agiu sob "violenta emoção". Segundo a defesa, em março de 2002, a vítima ligou 3.708 vezes para o consultório de Farah. Ele disse que a mulher o ameaçava e, no dia do crime, o "atacou com uma faca".

Caso se arrastava na Justiça

Farah ficou preso por quatro anos. Em 2007, conseguiu na Justiça o direito de esperar pelo julgamento em liberdade.

Em abril de 2008, ele foi a júri e condenado a 16 anos de prisão, mas o julgamento foi anulado pela Justiça em julho de 2013. À época, a defesa alegou que laudos que atestavam que o ex-médico era semi-imputável não foram levados em consideração pelos jurados.

Em novembro do ano passado, o ex-cirurgião conseguiu ficar livre da acusação de ocultação de cadáver, depois de a Justiça decretar que o crime havia prescrito.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos