Violência no Rio

Polícia identifica suspeito de matar comandante de batalhão da PM no Rio de Janeiro

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

A Polícia Civil do Rio de Janeiro afirma ter identificado um suspeito do assassinato do tenente-coronel Luiz Gustavo Lima Teixeira, comandante do 3º Batalhão de Polícia, no Méier, morto na quinta-feira (27). Uma força-tarefa da segurança pública age desde a tarde de ontem para localizá-lo.

De acordo com a Divisão de Homicídios da polícia, o suspeito tem 22 anos e se chama Matheus do Espírito Santo Severiano. Ele foi reconhecido pelo cabo da PM (Polícia Militar) Nei Filho, que dirigia o carro em que estava o comandante no momento do crime. O cabo ficou ferido na perna e seu estado de saúde é estável. Ao menos outros três homens participaram do assassinato e também são procurados.

Segundo a polícia, Severiano, que é considerado foragido, seria morador de uma favela que integra o Complexo do Lins, na zona norte da capital fluminense. Um mandado de prisão foi expedido pela Justiça e policiais estão à procura dele.

Divulgação
Homem foi reconhecido por cabo da PM; informações podem render recompensa

Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, diretor da Divisão de Homicídios, está descartada a possibilidade de um assassinato planejado. A principal hipótese é de que ele tenha sido vítima de um assalto, durante um arrastão.
 
A investigação aponta para quatro criminosos em um Audi com a intenção de cometer roubos na rua Hermengarda. Haveria um quinto homem em uma motocicleta, dando cobertura, segundo a polícia.
 
Os quatro pararam o veículo na esquina com a Lins de Vasconcellos e começaram o arrastão. O motivo dos vários tiros disparados contra o tenente-coronel teria sido a visualização da farda pelos criminosos.

Após a morte do oficial, foram mobilizados cinco batalhões e 300 PMs em operações na região do Méier e favelas do Complexo do Lins. A autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, via importante de conexão entre as zonas norte e oeste da cidade, chegou a ser fechada devido ao risco de tiroteios.

Por conta da operação, pais de alunos decidiram buscar seus filhos mais cedo em escolas e creches da prefeitura situadas na região, segundo informou a Secretaria Municipal de Educação.

Teixeira morreu na tarde de ontem vítima de um ataque a tiros, na rua Hermengarda, no Méier, na zona norte carioca. O secretário de Estado de Segurança Pública do RJ, Roberto Sá, afirmou que o assassinato é um "atentado à democracia". "O policial representa o Estado e está ali por vocação em defesa da sociedade. Não vamos descansar até colocar as mãos nesses criminosos."

Divulgação/PMERJ
Tenente-coronel Luiz Gustavo Teixeira foi baleado e morreu nesta quinta (26)

O comandante estava na corporação há 26 anos e era pai de dois filhos. Ele esteve à frente do batalhão por um ano e seis meses. Entre 2011 e 2014, o oficial trabalhou na Secretaria de Estado de Segurança Pública. A pasta informou que ele foi "fundamental na construção, criação de normas e gestão do CICC", em referência ao Centro Integrado de Comando e Controle, situado na região central da capital fluminense.

"Não podemos aceitar a morte de policiais como algo normal", afirmou o comandante-geral da corporação, coronel Wolney Dias. O veículo no qual Teixeira viajava estava descaracterizado e era conduzido pelo cabo da PM que reconheceu o suspeito identificado hoje.

Um vídeo gravado após o crime mostra policiais socorrendo o comandante. As imagens mostram colegas puxando o corpo do oficial e o colocando dentro de um carro da PM. Em seguida, Teixeira chegou a ser levado para o centro cirúrgico do Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu aos ferimentos.

Um outro vídeo gravado por um morador da região mostra um homem subindo em uma moto, com uma arma, enquanto motoristas e pedestres fogem de perto de onde ocorreu o crime. 

Reprodução
Carro do comandante do 3º BPM foi atingido por ao menos 17 tiros

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse, em nota, considerar "inaceitável" e "lamentar profundamente a morte trágica" do comandante do 3º BPM. "Solidarizo-me com a família e todos os policiais militares do Estado, especialmente aqueles sob o seu comando. Não vamos descansar enquanto os responsáveis por esse crime hediondo não estiverem nas mãos da Justiça."

Favelas do Rio têm cerco militar nesta sexta-feira

Em uma ação paralela, a Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira (27) quatro suspeitos que, segundo investigações, teriam participado da tentativa de invasão de criminosos à Rocinha, na zona sul carioca, em 17 de setembro, -- o episódio resultou em uma disputa entre facções do crime organizado que gerou uma crise de segurança em diversas favelas do Rio de Janeiro.

As prisões ocorreram durante uma operação de cerco às favelas São Carlos, Zinco, Querosene e Mineira, todas na região central da capital fluminense. Segundo o CML (Comando Militar do Leste), 1.700 militares e dez carros blindados das Forças Armadas participam do cerco às comunidades.

 

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