Violência no Rio

Não prender PM que matou jovem após mochila cair no chão é 'precedente perigoso', diz família

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução

A família de Luis Guilherme dos Santos, 18, morto por um PM na madrugada da última quarta-feira (3), após a vítima deixar a mochila cair no chão no centro de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, criticou a decisão da Polícia Civil de não prender o agente responsável pelo disparo.

O jovem foi baleado com um tiro nas costas após o caminhão onde estava ser abordado por policiais militares. Ao sair do veículo, Luis Guilherme teria deixado a mochila cair e, ao abaixar para pegá-la, foi baleado por um dos PMs.

Em depoimento, o cabo Hélder Roberto Gomes da Silva, do 20º Batalhão de Polícia Militar (Mesquita), admitiu que se confundiu no momento em que o jovem deixou a mochila cair. Ele disse à polícia que achou que Luiz Guilherme estivesse armado e, por isso, atirou. Após prestar depoimento, o policial foi liberado e vai responder em liberdade.

A delegacia responsável pelo caso considerou que se trata de um caso de legítima defesa putativa, quando o policial erra por pensar que estava em risco. Por isso, o agente não foi preso em flagrante e irá responder ao processo em liberdade. Um dos irmãos da vítima, o vendedor Gabriel Luis dos Santos, 24, criticou a decisão.

A insegurança no Rio de Janeiro é diária e por isso se justifica sair atirando e matando inocentes? É um precedente perigoso não prender um PM que mata inocente por se sentir em risco. Quantas pessoas mais vão morrer?

Gabriel Luis dos Santos, irmão da vítima

Gabriel Luis, que mora em Minas Gerais e viajou para o Rio quando soube que o irmão havia sido baleado, criticou ainda o que chamou de descaso do governo.

"Quase uma semana após o assassinato dele, o Estado ainda não procurou a família. Vamos processar o governo do Rio de Janeiro", afirmou o vendedor.

O enterro de Luis Guilherme foi pago pela empresa para qual a vítima estava trabalhando. O jovem foi enterrado na quinta-feira (4) no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu.

Morte no 1º dia de trabalho

O pai do jovem, Luis Carlos Ferreira dos Santos, 44, disse que o filho estava em seu primeiro dia de trabalho quando foi morto. Luis foi convidado por um amigo para substituir outro funcionário um dia antes do crime.

Ele estava trabalhando para uma empresa de produção de eventos e transportava enfeites de Natal de um shopping da baixada para o depósito da firma, na zona oeste do Rio, quando o veículo foi abordado por PMs.

"Ele vendia balas comigo e estava doido por um emprego, até que um amigo chamou ele para esse trabalho. Outros dois funcionários da firma iam faltar. Ele acabou entrando no lugar de um deles. Esse amigo estava com ele na hora e viu tudo. Está arrasado", conta o pai.

Luis Guilherme era o sétimo de dez irmãos. Segundo a família, ele tinha o sonho de ser músico, tocava violão na Assembleia de Deus, igreja frequentada pela família. O jovem pretendia também entrar para o Exército.

Procurada, a Polícia Militar disse que abriu um Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias do fato e que está contribuindo com a Polícia Civil com as informações necessárias para as investigações.

O cabo Hélder Roberto Gomes da Silva foi afastado das ruas e executa atualmente função interna na corporação. O UOL tentou contato com o policial, por meio da assessoria de imprensa da PM, mas ainda não obteve retorno --a defesa do cabo também não foi localizada.

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