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O maior sonho dela era ser atriz, diz pai de menina encontrada morta em Araçariguama (SP)

Vitória Gabrielly tinha o sonho de ser atriz, contou o pai dela, Luiz Alberto Vaz - Reprodução/Facebook
Vitória Gabrielly tinha o sonho de ser atriz, contou o pai dela, Luiz Alberto Vaz Imagem: Reprodução/Facebook

Fabiana Marchezi

Colaboração para o UOL

18/06/2018 15h59

"Uma filha maravilhosa, uma ótima aluna. Ela estava sempre de bem com a vida. Uma menina doce, que gostava de andar de patins, ainda brincava de bonecas e adorava brincar de ser professora. Como ela era a mais velha da turma, adorava brincar de dar aulas para as amigas. Ela vai fazer muita falta para todos nós”, disse, muito emocionado ao UOL, Luiz Alberto Vaz, pai da menina Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, que teve a vida interrompida de forma trágica na última semana ao sair de casa para andar de patins, em Araçariguama, no interior de São Paulo, onde morava. Vitória ficou desaparecida por oito dias, até ser encontrada morta na tarde do último sábado (16).

O pai contou que, apesar de ainda ser muito nova, Vitória era muito focada em seus sonhos e ativa na escola e na igreja que frequentava. "Ela participava de corais, de grupos de coreografia, adorava dançar, fez alguns trabalhos pequenos como modelo mirim, mas seu maior sonho era ser atriz. Ela queria estudar para ser atriz. Tinha todo um futuro pela frente", lamentou.

Pelas redes sociais, Vitória confirmava as afirmações do pai. Ela aparecia como uma criança sorridente, que gostava de passear, ir ao cinema, tirar selfies, posar para fotos, fazer tranças nos cabelos, usar óculos escuros, ficar com a família e com os amigos. Pelos pais, era tratada sempre como "minha princesa" e "meu amorzinho", nas redes.

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Em seu perfil no Facebook, ao longo dos dias de angústia pelo desaparecimento da filha, a mãe da menina, Rosana Guimarães, compartilhou várias mensagens de esperança e pedidos de oração. Depois que o corpo da filha foi encontrado, ela escreveu: “Hoje ela mora na mansão celestial, com um Deus maravilhoso! Brinca com os anjos. Filha, te amo por toda minha vida!".

Rosana também agradeceu pelas mensagens de apoio recebidas. "Eu quero agradecer todas as 3.000 mensagens no meu WhatsApp não conseguirei responder a todos, deixo meu abraço e que Deus abençoe".

A morte precoce e trágica de Vitória comoveu não só a pequena cidade de 17 mil habitantes, onde ela morava, mas todo o país, e mobilizou as redes sociais com mensagens de revolta e indignação. "Os dias vão se passando e agora só resta a saudade e as boas lembranças com sua família e amigos (as). Esperamos que a Justiça seja feita”, escreveu Iris Carvalho, amiga da família.

"Não conseguia dormir essa noite pensando no pânico que essa menina passou e como alguém é capaz de fazer isso. Antes eu orava para achá-la, hoje oro muito para acharem esse monstro", comentou Maria Amélia Spinha.

Desdobramento do caso

De acordo com o advogado da família, Roberto Guastelli, os laudos preliminares da necropsia feita pelo Instituto Médico Legal de Sorocaba mostram que a menina morreu asfixiada por esganadura e não sofreu violência sexual. "Pelo estado de decomposição do corpo, é possível que ela tenha sido morta no mesmo dia em que foi levada. Porém o laudo final ficará pronto em até 30 dias", disse Guastelli. A polícia ainda busca suspeitos e a motivação para o crime. O caso agora é investigado como homicídio.

Ainda segundo Guastell, desde que a garota foi encontrada morta, a polícia passou a considerar a possibilidade de envolvimento de alguém próximo à família da vítima no crime. "Pelas circunstâncias do crime, a polícia está investigando essa possibilidade também. Mas nenhuma outra hipótese foi totalmente descartada", explicou.

Vitória Gabrielly com o pai, em foto publicada em 2014 - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Vitória Gabrielly com o pai, em foto publicada em 2014
Imagem: Reprodução/Facebook
Segundo informou a Polícia Militar ao UOL, o corpo de Vitória foi localizado ao lado dos patins, em uma estrada de terra, no bairro Caxambu, por volta das 13h, após uma denúncia ao 190. De com a Secretaria de Segurança pública, o boletim de ocorrência explica que um homem que coletava objetos recicláveis avistou o corpo da estudante na mata e chamou a PM.

Além dos patins que ela usava quando foi filmada pela última vez por câmeras de segurança, chinelos, meias, dois pedaços de cadarços e um elástico de cabelo foram encontrados ao lado do corpo. Todos os objetos foram apreendidos e encaminhados para perícia.

O corpo da estudante foi sepultado na manhã deste domingo (17). Sob forte comoção e aplausos, a menina foi enterrada diante de cerca de 2.000 pessoas, segundo a Guarda Municipal.

O Colégio Adventista de Araçariguama, onde ela estudava, divulgou uma nota de pesar e suspendeu as atividades nesta segunda-feira (18). A prefeitura da cidade também decretou luto de sete dias e suspendeu as aulas da rede municipal nesta segunda.

Na noite da última sexta-feira (15), a polícia prendeu Julio Cesar Lima Ergesse, de 24, suspeito de envolvimento no caso. O investigado mora em Mairinque, município que fica a 20 quilômetros de Araçariguama. Ele trabalha como servente de pedreiro e disse à polícia que é usuário de drogas.

Os investigadores chegaram até ele após uma denúncia. Ergesse virou suspeito no caso depois de dizer que esteve com a menina no dia em que ela sumiu e apresentar várias versões diferentes em seus depoimentos. Junto com a prisão temporária de Ergesse, a Justiça determinou, na sexta-feira (15), sigilo nas investigações.

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