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Marido é denunciado à Justiça por morte de advogada no PR

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Rafael Pezzo

Colaboração para o UOL

2018-08-06T18:24:14

2018-08-06T19:49:07

06/08/2018 18h24Atualizada em 06/08/2018 19h49

O Ministério Público do Paraná denunciou o professor Luis Felipe Manvailer à Justiça na tarde desta segunda-feira (6) pela morte de sua mulher, a advogada Tatiane Spitzner, em Guarapuava, no Paraná. Além do homicídio com quatro qualificações (meio cruel, dificultar defesa da vítima, motivo fútil e feminicídio), cuja pena varia de entre 12 a 30 anos de prisão, ele também responderá por fraude processual por ter tentado mudar o local do crime, que pode levar a até dois anos de reclusão, e por cárcere privado, por impedir que a vítima fugisse, com pena de até cinco anos. Manvailer está preso desde o dia 22 de julho.

A denúncia foi elaborada pelos promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaiz, do Ministério Público do Paraná, e vem na sequência do indiciamento entregue pela Polícia Civil, na última terça-feira (31).

O MP também pede a manutenção da prisão preventiva de Manvailer com a justificativa da "conduta intensamente violenta, cruel e brutal" registrada pelas câmeras de segurança do condomínio e de que o investigado tentou se eximir de suas responsabilidades ao retirar o corpo e limpar o local do crime, explicou ao UOL a promotora Dúnia Rampazzo.

A defesa do professor informa que "mantém sua posição de permanecer no aguardo do resultado de exames periciais no corpo da vítima, no apartamento do casal, nas câmeras de segurança, nos smartphones, computadores e HDs apreendidos e na realização de reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado". 

Ainda segundo os advogados de Manvailer, "qualquer posicionamento sobre o caso, seja dos delegados, promotores, advogados de acusação ou de outro profissional que tenha participado do todo ou de parte deste apuratório estará tratando de hipóteses especulativas, baseadas em fragmentos, que destoam de comprovação técnica científica".

De acordo com o advogado dos pais de Tatiane Spitzner, Gustavo Scandelari, "a denúncia do Ministério Público reflete o esperado pela família" e que os familiares "na expectativa de que seja feita justiça ao final do processo".

Imagens das câmeras de segurança

Imagens das câmeras de segurança do edifício onde o casal morava mostram agressões de Luis Felipe contra Tatiane. A violência começou no carro e se seguiu até a subida no elevador. A vítima também tentou fugir do suspeito, correndo na garagem do prédio ou até tentando subir ao 4º andar primeiro do que ele. A mulher, no entanto, foi impedida em ambas as ocasiões por Manvailer.

Nas filmagens, também é possível ver quando o suspeito recolhe o corpo da vítima da calçada e o carrega para dentro do elevador. Em seguida, após deixá-la no apartamento, ele limpa o saguão do andar e também o elevador. Minutos depois, deixa o prédio e sai com o carro da mulher, passando pela rua ao lado do condomínio, onde já estavam alguns carros de polícia.

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Após a divulgação das imagens, na sexta (3), Gustavo Scandelari, advogado da família Spitzner, afirmou ao UOL que "as imagens são a comprovação de que não houve suicídio, mas uma agressão contínua, que foi da garagem, passou pelo elevador e seguiu dentro do apartamento".

Laudo da perícia

Peritos criminais da Polícia Civil encontraram uma fratura óssea e hematomas na região do pescoço da advogada Tatiane Spitzner; as lesões são características de esganadura. Como a necropsia ainda não foi concluída, não se sabe se Spitzner morreu com a queda ou se foi morta ainda dentro do apartamento.

"Estamos consternados e tristes ao saber de mais esse dado chocante desse crime brutal do qual ela foi vítima", afirmou ao UOL Gustavo Scandelari, advogado da família da vítima. "Até o momento, não havia qualquer registro de violência física entre o casal. No entanto, com os depoimentos de testemunhas colhidos pela Polícia Civil, pudemos constatar um passado de agressões verbais dele contra Tatiane", completou.