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Moradores da região do Campo de Marte relatam pavor e reclamam de aeroporto

Eduardo Lucizano e Guilherme Mazieiro

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

30/11/2018 21h24

"Eu dirigi caminhão a minha vida inteira. Na hora do estouro pensei que fosse uma carreta derrubando o muro de casa. Depois que percebi que era algo muito maior. Fui ver era um avião", contou o aposentado João Bovolenta, 83, ao UOL. Ele é dono de uma das três casas que foram atingidas por um avião de pequeno porte Cessna C-210, nesta sexta-feira (30), na zona norte da capital paulista. A aeronave caiu pouco depois de decolar do aeroporto Campo de Marte. O acidente deixou ao menos dois mortos e 13 feridos, segundo o Corpo de Bombeiros.

O aposentado estava inconformado com a decisão do Corpo dos Bombeiros de impedir a entrada dele e sua família para retirar os pertences. A medida foi tomada na casa de Bovolenta e mais outros dois imóveis na região para facilitar o trabalho de retirada da aeronave do local.

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"Construi praticamente tudo dessa casa e agora eu tenho que esperar uma autorização para voltar lá para dentro. É brincadeira?", questionou-se o aposentado.

Ao lado dele, a mulher Neusa Umile, 76, ainda procurava se acalmar após o acidente e disse ter ficado aterrorizada com a queda

A gente não acredita no que está acontecendo. Sorte que o vento soprava para fora de casa. Se fosse para dentro, tinha morrido com meu marido

Neusa Umile, que morava em casa atingida por aeronave que caiu em São Paulo

Amparados pela neta, Andressa Bovolenta, 27, que ficou sabendo do acidente enquanto ia para o trabalho, o casal de idosos estava sentado em um bar próximo a casa destruída atendendo telefonemas de amigos, parentes e respondendo à imprensa.

Dono de casa atingida por avião em SP conta como escapou do acidente

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"Eu vim correndo quando me disseram que eram dois mortos e o avião tinha caído em cima da casa dos meus avós", contou Andressa à reportagem do UOL. Ela é personal trainer e estava na Vila Mariana, na zona sul da cidade, indo para o trabalho quando viu a notícia do acidente.

Já o consultor de segurança Ricardo Bustamante reclamou da proximidade que as aeronaves passam das casas para pousar no aeroporto Campo de Marte, nas redondezas do bairro.

"Para quem vive na Casa Verde, na cabeceira da pista, igual nós, é terrível ver isso. A gente brinca: quando será que um vai cair na nossa cabeça? Dá medo de ver eles passando. E hoje foi por pouco", contou.

A adolescente Milene Moreira, 17, disse que estava no trabalho e a sua cunhada ficou presa em um das casas atingidas pela queda da aeronave.

"Ela não se machucou muito, só precisou de oxigênio porque tinha respirado muita fumaça. Ela estava dormindo e quem acordou ela foram os cachorros", contou a adolescente.

A queda aconteceu a cerca de 100 metros de um posto de combustíveis que foi interditado. os funcionários tiveram que deixar o local.

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