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Modelo de avião que caiu em SP é um dos que mais se acidentam no Brasil

Aeronave prefixo PR-JEE que caiu nesta sexta-feira logo após decolar do Campo de Marte - Arquivo pessoal
Aeronave prefixo PR-JEE que caiu nesta sexta-feira logo após decolar do Campo de Marte Imagem: Arquivo pessoal

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/11/2018 22h25Atualizada em 01/12/2018 11h43

O avião que caiu na tarde desta sexta-feira (30) em São Paulo, ao tentar decolar do aeroporto Campo de Marte, era um Cessna C210 de prefixo PR-JEE e estava com a sua situação de aeronavegabilidade normal, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Esse é o terceiro tipo de aeronave que mais registra acidentes no país.

Fica atrás apenas do Ipanema (usado na aviação agrícola), com 242 acidentes registrados desde 2008, e o Piper Sêneca (PA-34), aeronave executiva bimotor, com 85 acidentes registrados, segundo dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Aeronáutica.

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O modelo Cessna C210 esteve envolvido em 65 acidentes no país desde 2008. Destes, em 18 foram registradas mortes. A maioria dos acidentes foi causada por falha de motor em voo --ainda não é possível afirmar que o mesmo aconteceu nesta sexta-feira, pois as causas ainda serão investigadas.

Há no Brasil 558 aviões do tipo C210, todos em condições de voo, segundo dados atualizados pela Anac até outubro. 

Este é um dos aviões mais vendidos no Brasil, estando entre os cinco modelos com maior número de exemplares na atualidade, assim como o Ipanema e o Piper Seneca. Com isso, o número de acidentes pode apresentar uma distorção em relação a outros modelos vendidos em menor quantidade.

A reportagem não conseguiu entrar em contato com representantes da Cessna no Brasil.

Fabricado em 1980

O avião que caiu nesta sexta-feira foi fabricado em 1980, mas isso não determina sua capacidade de voo nem se a aeronave é segura ou não. O "prazo de validade" de um avião é determinado pela forma como é feita sua manutenção, pela quantidade de horas de voo e pelo número de pousos e decolagens.

As empresas que fazem manutenção de aeronaves particulares, como é o caso dessa, são rigorosamente inspecionadas pela Anac.

As aeronaves também são obrigadas a seguir planos de troca de peças de acordo com o número de horas voadas. Mesmo que aparentem estar em boas condições, situações como fadiga ou desgaste nem sempre são visíveis e, por isso, grande parte das peças são trocadas de tempos em tempos mesmo sem aparentar uma visível necessidade. Tudo em busca da segurança.

Com capacidade para cinco passageiros e peso máximo de decolagem de 1.724 kg, o Cessna C210 era movido por um motor a pistão e tinha capacidade de fazer voos noturnos e por instrumentos. 

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