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Mãe do piloto de helicóptero de Boechat morre três dias depois do filho

Reprodução/Instagram
O piloto Ronaldo Quattrucci e a mãe, Philomena Quattruci Imagem: Reprodução/Instagram

Marcela Leite

Do UOL, em São Paulo

2019-02-16T19:08:38

16/02/2019 19h08

Nesta quinta-feira (14), três dias depois do acidente que matou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattruci, morreu Philomena Quattrucci, aos 80 anos. Mãe de Ronaldo, ela lutava contra um câncer em fase terminal e não sabia da morte do filho. Segundo um amigo da família, os parentes chegaram a tirar a televisão do quarto no hospital para que ela não soubesse da notícia.

A morte de Ronaldo não foi a primeira fatalidade do tipo a acontecer na família. Em 15 de maio de 1998, Philomena perdeu outro filho - o também piloto Rogério Quattrucci - após o helicóptero em que ele estava bater em um morro em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. O ocorrido foi noticiado pela Folha na época.

No Instagram, a filha de Ronaldo, Amanda Quattrucci, homenageou pai e avó. "Vocês eram inseparáveis e tinham um amor incondicional um pelo outro! Quando meu pai estava sofrendo com sua doença terminal, a vida nos surpreende e Deus o levou três dias antes dela. Você não a viu ir e ela não chegou a saber da sua partida e agora continuam juntos em outro plano", escreveu ela. "Oro por vocês e sei que irão guiar e cuidar de nós que ficamos, junto com o tio Rogério. Amo muito vocês e vou amar por toda eternidade."

Amanda, que se formou em química em 8 de fevereiro e comemorou a conquista com a família três dias antes do acidente, também escreveu uma mensagem agradecendo ao "melhor pai do mundo, o melhor comandante, um homem digno, honesto e generoso, que sempre me orgulhou e me ensinou os verdadeiros valores da vida". "Você é único, e fará muita falta nas nossas vidas. Eu te amo pra sempre! Um beijo no seu coração, da sua bizuquinha!"

Quem era Ronaldo Quattrucci

Apaixonado por futebol, por voar, pelos familiares e pelo Palmeiras, Ronaldo Quattrucci, de 56 anos, adorava estar na casa construída há pouco tempo no interior de São Paulo, segundo João Paulo Fernandes, amigo da família há 12 anos.

De acordo com João Paulo, enquanto profissional, o piloto "era a primeira opção de muitos artistas e famosos quando precisavam de táxi-aéreo". "Sei que muitas vezes alguns o presenteavam e ele acabava mostrando para o seu filho", conta.

Já em terra, ele costumava jogar futebol às segundas-feiras e, no dia da queda do helicóptero, não pôde atuar como zagueiro, posição que tinha sua predileção. "Ele tinha confirmado sua presença para o final da tarde em um grupo de WhatsApp", contou João Paulo.

Nas horas vagas, o piloto também chegou a se dedicar ao voluntariado. Entre 2009 e 2015, Ronaldo levava o Papai Noel e a Mamãe Noel Fabiana Almeida ao evento para crianças carentes Natal Solidário, no Parque Piratininga, em Itaquaquecetuba, região metropolitana de São Paulo.

No evento, organizado por Isaías da Paz, eram entregues cerca de 4.000 brinquedos aos pequenos, como explica Fabiana. "Ele era um piloto muito habilidoso. Íamos até o Campo de Marte e voltávamos já a caráter para fazer o sobrevoo e aterrissagem no evento", conta.

João Paulo também chegou a contar sobre um diálogo que teve com Rodrigo Quattruci, filho de Ronaldo, no dia do enterro. "A gente chegou a se perguntar se ele [Ronaldo] realmente sabia quantas pessoas gostavam e o admiravam", contou.

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