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"Não ouvi falar em arma", diz mãe de jovem morto por segurança em mercado

Dinalva Santos de Oliveira, mãe de jovem morto após levar "gravata" de segurança -
Dinalva Santos de Oliveira, mãe de jovem morto após levar "gravata" de segurança

Do UOL, em São Paulo

24/02/2019 21h36

A esteticista Dinalva Santos de Oliveira, mãe de Pedro Henrique Gonzaga, contestou a versão do ex-segurança particular Davi Ricardo Moreira Amâncio, acusado de causar a morte do rapaz de 19 anos, ao afirmar que seu filho não tentou tomar a arma do acusado.

Pedro morreu após levar uma "gravata" de Amâncio, que trabalhava como vigilante da unidade do supermercado Extra na Barra da Tijuca, no último dia 14 deste mês.

"Em nenhum momento, eu ouvi ele falar em arma. Ele não falou em arma", disse Dinalva, em entrevista veiculada na noite de hoje (24) pelo programa "Fantástico", da Rede Globo. 

Dinalva afirmou que ficou intimidada diante da ação dos seguranças do supermercado Extra. "Eu fiquei intimidada, assim como todas as outras pessoas ficaram intimidadas. Todas elas queriam ajudar meu filho."

Em depoimento nesta quarta-feira (20), Amâncio reafirmou que o rapaz pegou sua arma e só não atirou porque um outro segurança impediu. O conteúdo do depoimento, que durou cinco horas e meia, foi exposto pelo advogado de Amâncio, André França Barreto.

Segundo Barreto, os quatro depoimentos prestados nesta quarta-feira à Delegacia de Homicídios do Rio, que investiga o caso, confirmaram essa versão segundo a qual Pedro Henrique Gonzaga correu em direção ao segurança Amâncio e chegou a pegar sua arma, sendo em seguida imobilizado.

As imagens obtidas até agora pela polícia não mostram a ação descrita pelo advogado - só há registros de Gonzaga de pé parado ao lado do segurança e em seguida caindo ao chão e sendo socorrido e depois imobilizado por Amâncio, que acabou por asfixiá-lo. O advogado admite que não há registros do momento em que, segundo sua versão, Gonzaga ataca o segurança e pega sua arma.

Asfixiado, o cliente foi socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Barra da Tijuca, mas morreu após sofrer paradas cardiorrespiratórias. O segurança foi preso em flagrante e já no primeiro depoimento alegou que Gonzaga havia tentado pegar sua arma. O caso foi registrado inicialmente como homicídio culposo (sem intenção) e Amâncio foi libertado após pagar fiança de R$ 10 mil.

A decisão sobre o tipo de homicídio pelo qual o segurança será acusado só vai ser divulgada quando o inquérito for concluído. O prazo legal para isso é de 30 dias a contar da data do crime, mas a polícia prevê que vai concluir o processo antes disso.

O delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, diretor do DGHPP (Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa do Rio), diz que, mesmo se Amâncio for indiciado por homicídio doloso, a polícia não vai pedir que a Justiça decrete sua prisão, já que o segurança se apresentou aos policiais após o crime, compareceu para prestar depoimento e, em liberdade, aparentemente não oferece riscos à investigação.

Amâncio teve seu registro de segurança particular cassado por já ter sido condenado por agressão a ex-mulher. O Extra divulgou que decidiu pela rescisão do contrato com a empresa de segurança para qual Amâncio trabalhava.

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