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Tornado no RJ? Não! Tromba-d'água é filmada e assusta moradores

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

24/04/2019 12h03

Uma tromba-d'água, com formação parecida a um tornado, foi registrada ontem na Lagoa de Juturnaíba, entre Araruama e Silva Jardim, na região dos Lagos do Rio de Janeiro. As imagens mostram uma grande "nuvem de água" se movimentando sobre um lago.

De acordo com especialistas, a área de ocorrência do fenômeno é o que diferencia a tromba-d'água do tornado - que acontece em terra. O flagrante, que está circulando nas redes sociais desde então, apesar de não ser muito frequente no estado, é considerado comum, explica o meteorologista da Somar Meteorologia, Celso Oliveira.

"Aqui na América do Sul a gente tem um corredor de tornado e é a segunda região com maior incidência. A primeira fica nos Estados Unidos. Neste caso, as imagens mostram um tornado sobre um lago, ganhando o nome de tromba-d'água que é a formação de nuvens de tempestade, com as cumulunimbus - intensa circulação do vento no interior. A diminuição brusca da pressão atmosférica faz com que esse vento entre em rotação e passe da [posição] horizontal para vertical, provocando o fenômeno", diz.

Segundo o meteorologista, as trombas-d'águas são fenômenos mais fracos que os tornados, porém perigosos. "São perigosas especialmente para embarcação. Banhistas devem se afastar e procurar locais seguros. Os ventos podem chegar a 100 Km/h, mas a rotação do vento é o que garante o poder destrutivo do fenômeno. Podem ser extremos", aponta.

No entanto, o especialista avalia que a tromba-d'água observada ontem foi de baixa intensidade.

"No Rio a frequência é baixa e a chance de termos isso amanhã ou depois é bem menor justamente porque não temos condições na atmosfera de provocar esse tipo de tempestade com frequência", comenta.

O meteorologista João Basso, da Cliamtempo, disse também que a mudança de temperatura na região também contribuiu para o fenômeno. "Com o aquecimento diurno da água do mar e da área mais próxima da superfície oceânica, houve mudança da circulação de ventos na região próxima da superfície, dando um giro horizontal no vento. Como a água condensa e as parcelas de ar acima da superfície são mais frias, o ar tende a subir, dando a formação da tromba-d'água", diz.

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