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Taxa de homicídio de negros aumenta 33% em dez anos

Jardiel Carvalho/Folhapress
Imagem: Jardiel Carvalho/Folhapress

Marcela Leite

Do UOL, em São Paulo

05/06/2019 10h09Atualizada em 05/06/2019 16h04

De 2007 a 2017, o número de homicídios de negros (pretos e pardos) no Brasil cresceu 33,1%, atestando "a continuidade do processo de aprofundamento da desigualdade racial nos indicadores de violência letal no Brasil". É o que mostra o Atlas da Violência 2019, divulgado hoje pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No mesmo período, o aumento da violência letal intencional contra não negros (brancos, amarelos e indígenas) teve um aumento de 3,3%, de acordo com o levantamento, que se baseia em dados oficiais do SIM/MS (Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde).

Em meio a um recorde histórico de homicídios em 2017, chegando às 65.602 vítimas, o Atlas mostra que 75,5% delas eram negras. Ou seja: naquele ano, pretos e pardos foram vítimas de três a cada quatro homicídios.

No mesmo ano, enquanto a taxa entre os não negros foi de 16 mortes a cada 100 mil habitantes, entre os negros foi bem maior: 43,1 mortes a cada 100 mil habitantes.

Segundo os pesquisadores, com o quadro de desigualdade, "fica evidente a necessidade de que políticas públicas de segurança e garantia de direitos devam, necessariamente, levar em conta tais diversidades, para que possam melhor focalizar seu público-alvo, de forma a promover mais segurança aos grupos mais vulneráveis".

Violência no Nordeste

Os cinco estados com maiores taxas de mortes violentas registradas em 2017 entre a população negra ficam no Nordeste. No Rio Grande do Norte, o levantamento mostra o índice mais alto, com 87 mortos a cada 100 mil habitantes negros, mais do que o dobro da taxa nacional, seguido por Ceará (75,6), Pernambuco (73,2), Sergipe (68,8) e Alagoas (67,9).

É também no Rio Grande do Norte que se concentra o maior crescimento do índice de homicídios contra pretos e pardos entre 2007 e 2017, de 333,3%. A seguir, vêm os estados do Acre (276,8%), Ceará (207,6%) e Sergipe (155,9%).

Ainda no Nordeste, em Alagoas a desigualdade racial fica mais em evidência. Lá, o índice de mortes violentas contra pretos e pardos é 18,3 vezes maior que o de não negros, enquanto leva o título de unidade de federação mais segura para brancos, amarelos e indígenas.

"De fato, é estarrecedor notar que a terra de Zumbi dos Palmares é um dos locais mais perigosos do país para indivíduos negros, ao mesmo tempo que ostenta o título do estado mais seguro para indivíduos não negros (em termos das chances de letalidade violenta intencional), onde a taxa de homicídios de não negros é igual a 3,7 mortos a cada 100 mil habitantes deste grupo. Em termos de vulnerabilidade à violência, é como se negros e não negros vivessem em países completamente distintos", diz o Atlas.

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