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RJ: ações têm 4 baleados, um morto e relatos de tiros de helicópteros

12.jun.2019 - Operação do Batalhão do Choque no Complexo da Maré, na zona norte carioca - José Lucena/Estadão Conteúdo
12.jun.2019 - Operação do Batalhão do Choque no Complexo da Maré, na zona norte carioca Imagem: José Lucena/Estadão Conteúdo

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

12/06/2019 15h13

Duas das principais vias da cidade do Rio de Janeiro foram interditadas entre a manhã e a tarde hoje, depois que homens apontados como chefes do tráfico de drogas no estado foram presos em ações policiais. Ao menos três pessoas foram atingidas por balas perdidas nas operações, que se espalharam por conjuntos populosos de favelas como o Complexo da Maré, na zona norte, e a Cidade de Deus, na zona oeste da capital fluminense. Um policial foi baleado em serviço, e um homem não identificado morreu em confronto com a polícia.

Nas redes sociais, moradores das comunidades voltaram a relatar excessos por parte de policiais e tiros vindos de helicópteros. Escolas tiveram aulas canceladas e congestionamentos se estenderam pela cidade em razão de interdições nas linhas Amarela e Vermelha.

Ao comentar a intensidade da ação na Cidade de Deus, o governador Wilson Witzel (PSC) afirmou que "quem quer continuar no mundo do crime faz a opção pela cadeia ou pela morte".

A interdição das linhas Vermelha e Amarela, que margeiam a Maré, aconteceu depois que o apontado como traficante Paulo Roberto Silva Taveira, o Cara Preta, foi atingido em um tiroteio com homens do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré.

Segundo a polícia, Cara Preta é chefe do tráfico de drogas na comunidade Chapéu Mangueira, no Leme, próxima à praia de Copacabana. Levado para o Hospital Geral de Bonsucesso, o quadro de saúde dele é considerado estável.

Na versão dos PMs do Bope, os agentes patrulhavam a comunidade Vila dos Pinheiros quando foram recebidos a tiros por criminosos e houve confronto. Após cessarem os tiros, em vasculhamento no local, Cara Preta foi encontrado ferido.

Um policial foi atingido no pé e levado para o Hospital Central da Polícia Militar no Estácio, região central do Rio. O estado de saúde dele é estável.

O COR (Centro de Operações Rio), da prefeitura, informou que a linha Vermelha foi interditada, em razão da intensidade da troca de tiros, por volta das 11h40 e reaberta em seguida. A via voltou a ser fechada às 12h30. Pouco antes disso, moradores tentaram fazer um protesto no local, mas foram impedidos por policiais. Com medo dos disparos, motoristas buscaram abrigo embaixo de carros e nas muretas de concreto que separam as pistas da linha Vermelha.

Nas redes sociais, moradores da Maré postaram vídeos que mostram a intensidade da troca de tiros na Maré, que se espalhou por localidades como a Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro.

A reportagem perguntou à Secretaria de Polícia Militar se investigações seriam abertas para apurar as denúncias de supostos excessos por parte de agentes, mas não obteve resposta.

A pasta limitou-se a informar "que, como tem demonstrado ao longo de sua história, a corporação não coaduna e pune com o máximo rigor qualquer desvio de conduta em seus quadros, conduzindo os processos apuratórios com base na legislação vigente". A PM ainda destacou que os canais de denúncias garantem animato.

Cidade de Deus tem morte em confronto

Na Cidade de Deus, as operações policiais foram iniciadas por volta das 6h. Imagens veiculadas pela TV Globo mostram traficantes usando um muro como trincheira para disparar contra policiais através de um buraco.

Os criminosos se revezavam nos disparos feitos com fuzis e pistolas para evitar a aproximação de um veículo blindado. De acordo com a polícia, um homem morreu em confronto. A identidade dele não foi revelada.

Os criminosos fugiram para uma região de mata, próxima à comunidade, e homens em um helicóptero da PM fizeram disparos contra eles. Em seu perfil no Twitter, a PM informou que o muro utilizado como trincheira foi demolido durante a tarde.

O governador Witzel comentou a ação. "Aquelas pessoas com arma na mão não são desfavorecidas da vida. Se você quer continuar no crime organizado e vai enfrentar a polícia, a sua chance de morrer é grande. Abandona o fuzil, se entrega, faz uma delação e nós vamos ajudar você a voltar para uma vida normal, decente, que vai ter futuro, que vai ter família. Quem quer continuar no mundo do crime faz a opção pela cadeia ou pela morte", disse ele.

Em seu Twitter, a PM divulgou o balanço de apreensões.

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