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Testemunha apresenta nova versão para briga sobre bolo que acabou em morte

Vanderléia, 25, era mãe de quatro filhos - Reprodução/Facebok
Vanderléia, 25, era mãe de quatro filhos Imagem: Reprodução/Facebok

Ana Carla Bermúdez*

Do UOL, em São Paulo

22/06/2019 14h21

Uma testemunha que presenciou o assassinato de Vanderléia Inácio dos Santos, 25, morta a tiros no último sábado (15) após uma discussão envolvendo um bolo, apresentou uma nova versão para o início da discussão entre a vítima e o homem apontado como o assassino.

O crime aconteceu em uma festa junina em Sete Barras (203 km de São Paulo), no Vale do Ribeira. Segundo uma pessoa próxima à família da vítima e que não quer ser identificada, Vanderléia ofereceu um pedaço de bolo à mulher do assassino quando o casal discutia. Isso teria desagradado o homem.

"Eles [o casal] já estavam discutindo bem baixinho. Não escutei nada. Nisso, a Vanderléia ofereceu um pedaço de bolo para esposa dele. Ele falou que comprava [um bolo] melhor para ela [a esposa] e xingou o bolo de merda. A Vanderléia não gostou e ficou falando umas coisas para ele", disse a testemunha ao UOL.

Discussão por causa de bolo causa morte de mãe de quatro filhos

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"Ele saiu nervoso e xingando, e a Vanderléia ficou falando umas coisas para ele também. Todo mundo a segurou, falou para ela não ir [atrás dele], mas ela se soltou. No que ela foi na direção dele, ele efetuou os disparos, na frente dos filhos dela. Na frente de todo mundo. Nisso, ele fugiu, sumiu", contou.

Na versão apresentada pela polícia e que consta no boletim de ocorrência, a briga foi provocada porque a vítima levou à festa um bolo em vez de um salgado, como era o combinado.

A reportagem ligou hoje na Delegacia de Sete Barras, mas foi informada de que o delegado responsável pelo caso só voltaria na próxima terça-feira. Foi solicitado um telefone celular dele, mas o número não foi fornecido.

A cidade de Sete Barras fica no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo - Reprodução/Wikimedia Commons
A cidade de Sete Barras fica no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo
Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou apenas "que o caso foi registrado como homicídio qualificado na Delegacia de Sete Barras e que as investigações prosseguem para prender o autor do crime".

O homem, de 47 anos, apontado como assassino de Vanderléia se apresentou, na terça-feira (18), já com o advogado, e prestou depoimento, segundo a polícia.

"Como ele fugiu no dia do crime, não houve flagrante e, por isso, ele não foi preso", informaram ontem na delegacia.

Família de vítima teme represálias

Segundo a mesma testemunha que relatou como foi o crime, o assassino é uma pessoa agressiva e estaria envolvido em outra briga. O UOL não conseguiu contato com a defesa do suspeito.

Por morar na mesma cidade dele, a família de Vanderléia está com medo e teme represálias, mas não tem condições financeiras de se mudar.

A vítima trabalhava na roça plantando mudas e ainda amamentava o filho mais novo, de 10 meses. O bebê tem dificuldade em aceitar a mamadeira.

Além do filho mais novo, Vanderléia deixou uma menina de 6 anos e outros dois meninos, de 6 e 3 anos. As crianças devem passar por atendimento psicológico.

O marido, que não estava presente no momento do assassinato, está bastante abalado, segundo a testemunha.

De origem humilde, a família não tem condições de arcar com os custos de um advogado para acompanhar a investigação policial.

No dia em que foi morta, Vanderléia havia acabado de pagar o aluguel do local onde morava. Vivia com o marido e os filhos em uma casa dentro de um sítio.

Ela foi descrita como uma pessoa alegre, extrovertida e de bom coração, segundo a testemunha.

"Mesmo com os quatro filhos, ela gostava de se divertir", disse. "Ela ia tomar a cervejinha dela, ela dançava, gostava muito de dançar. Uma pessoa simples, que gostava de ajudar todo mundo."

*Colaborou Leandro Prazeres, do UOL, em Brasília

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