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Irmã de mulher que ficou presa por engano é detida, mas caso tem nova falha

Arquivo pessoal
Daniela Estevão Fortes é acusada de ter assaltado duas lojas de celulares Imagem: Arquivo pessoal

Pauline Almeida

Colaboração para o UOL, no Rio

2019-06-26T17:10:29

26/06/2019 17h10

A irmã da mulher que ficou presa 11 dias por engano neste mês no Rio de Janeiro foi detida na manhã de hoje em Rio das Ostras, no litoral norte do estado. Daniela Estevão Fortes, 24 anos, era procurada sob acusação de ter assaltado duas lojas de celulares e estava escondida em uma casa no bairro Nova Esperança.

Segundo informações da Polícia Militar, a localização veio por meio de uma ligação anônima no disque-denúncia. Ao ser abordada, a mulher, que estava com o cabelo pintado de loiro, confirmou o nome e apresentou os documentos sem resistência, sendo encaminhada para a 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras.

A prisão de Daniela, porém, não encerrou uma série de falhas envolvendo o caso. O nome que aparecia no mandado contra ela ainda era o da irmã presa por engano: Danielle Estevão Fortes, 27 anos.

Em entrevista ao UOL, o delegado Ronaldo Andrade Cavalcante contou que precisou comunicar a 59ª Delegacia de Polícia de Duque de Caxias, de onde saiu o pedido de prisão, para avisar o Ministério Público e fazer a correção do documento na Justiça.

A Polícia Civil iria aguardar o mandado correto para então registrar a prisão formalmente no sistema e encaminhar a mulher para uma unidade penitenciária.

Presa por engano quer reencontrar irmã

Danielle Estevão Fortes ficou sabendo da prisão da irmã pela imprensa. "O sentimento é de preocupação e alívio. Alívio porque isso acabou, a gente achou ela, ela está bem e vai ficar tudo bem, porque minha família está junto com ela", disse a irmã confundida ao UOL.

"Preocupação pelas coisas que possam vir a acontecer por coisas que eu falei em relação às condições do presídio, de como eu fui tratada, em relação às pessoas da rua que estão com raiva, tem gente que não vai entender. Eu tenho receio de a minha irmã sofrer algum tipo de agressão", completou Danielle.

Reprodução/Redes sociais
Danielle Estevão Fortes (centro) reencontra a família após ficar 11 dias presa Imagem: Reprodução/Redes sociais

Ao sair da cadeia no último dia 18, ela denunciou as condições precárias de estrutura e de alimentação no presídio de Bangu. Agora, teme que Daniela sofra represálias pelas críticas. Mais velha dos 11 irmãos, Danielle se sente responsável por toda a família e espera ver logo a irmã.

"Irmão mais velho é como se fosse mãe, a gente se sente falho. A mãe, quando ensina, ela planeja todo um caminho para o filho. A gente se sente falho se não segue o caminho. Onde a gente errou? Não conversou, não procurou, foi algo que a gente não deu?", declarou.

Caso repleto de falhas

A história com contornos de novela envolvendo as duas irmãs começou no dia 7 de junho, quando Danielle Estevão Fortes foi à Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, em Belford Roxo, para depor como testemunha sobre o assassinato de um irmão. Confundida com a irmã mais nova, foi presa e passou por dois presídios do Rio de Janeiro.

No dia 17, os advogados conseguiram provar a confusão, mas o alvará de soltura foi emitido com o sobrenome e o número de RG errados, mantendo Danielle mais um dia na cadeia.

Os advogados da família denunciaram as falhas no processo. Primeiro, da Polícia Civil, que poderia ter evitado a prisão por engano com um exame de digitais ou a análise das fotos das irmãs. Segundo, do Ministério Público, que endossou o pedido de prisão errôneo. Depois, da Justiça, com o alvará de liberdade e os problemas de digitação.

Danielle foi solta no dia 18 de junho, recebida com festa em Praia de Mauá, no município de Magé, onde mora sua família e de onde a irmã, o verdadeiro alvo da polícia, desapareceu.

A 'novela' ganhou novo episódio no último fim de semana, quando ela recebeu uma carta da irmã. Daniela pediu perdão pelo sofrimento causado e disse que mudaria de vida, convertida religiosamente ao caminho de Deus.

Desde a saída da prisão, Danielle tem afirmado que perdoaria a irmã, mas sempre pediu que ela se entregasse.

A reportagem do portal UOL pediu um posicionamento à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Justiça sobre as falhas no processo, mas ainda aguarda um retorno.

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