Topo

A TV, deputada Flordelis diz que foi vítima de tentativa de extorsão

17.jun.2019 - A deputada federal Flordelis (PSD-RJ), de óculos escuros, durante o enterro do corpo de seu marido, o pastor Anderson do Carmo de Souza - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
17.jun.2019 - A deputada federal Flordelis (PSD-RJ), de óculos escuros, durante o enterro do corpo de seu marido, o pastor Anderson do Carmo de Souza Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

22/09/2019 22h55

Em entrevista veiculada na noite de hoje pelo programa Fantástico, da TV Globo, a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) afirmou que foi vítima de uma tentativa de extorsão cometida por um suposto advogado e um policial não-identificado da DH da Capital (Delegacia de Homicídios da Capital, órgão da Polícia Civil do Rio). O episódio estaria vinculado às investigações do homicídio do pastor Anderson do Carmo, marido da parlamentar.

A deputada prestou depoimento no final de agosto à PF (Polícia Federal) e apresentou gravações dos telefonemas que teria recebido. Em uma das gravações, o suposto policial afirma o seguinte: "Eu vou falar português claro para a senhora. A nossa intenção é o dinheiro".

Na narrativa apresentada pela deputada, o policial e o advogado afirmavam que dispunham de informações sobre a investigação do caso e queriam vendê-las em troca de dinheiro. O suposto agente disse ainda que teria como influenciar a apuração do homicídio, que é realizada pela DH de Niterói.

Os telefonemas foram realizados dois meses depois do assassinato do marido de Flordelis, o pastor Anderson do Carmo, 42. Ele foi morto a tiros em sua própria casa na madrugada de 16 de junho em Pendotiba, Niterói, região metropolitana do Rio.

A Polícia Civil do Rio realizou a reconstituição do assassinato do pastor Anderson do Carmo - Domingos Peixoto/Agência Globo
A Polícia Civil do Rio realizou a reconstituição do assassinato do pastor Anderson do Carmo
Imagem: Domingos Peixoto/Agência Globo
Ainda durante a entrevista ao Fantástico, a deputada federal apresentou uma carta que teria sido escrita pelo filho adotivo Lucas de Souza, 18; Ele e o irmão e Flávio Rodrigues, 38, estão presos pelo homicídio.

No documento, que teria sido entregue pela mulher de um preso, Lucas apontou um outro irmão, o vereador Misael da Floderlis (MDB), como mandante do assassinato. Misael nega e afirma que a mãe quer criar confusão no inquérito. Ele diz acreditar que a deputada seja a autora intelectual do crime.

Na noite de sábado, Lucas se recusou a participar da reconstituição feita pela Polícia Civil do Rio.

A investigação, cuja 1ª fase foi concluída, conta com dezenas de depoimentos do clã Flordelis. Ao menos quatro dos 54 filhos do casal (a maioria deles adotivos) apontam suspeitas de envolvimento da parlamentar no crime. Há relatos de suposto envenenamento do pastor e de disputas por dinheiro.

Tanto a Polícia Civil quanto o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) não têm dúvidas de que mais de seis tiros foram disparados contra o pastor —o corpo dele tinha mais de 30 perfurações— e de que há mais pessoas envolvidas no crime além dos dois filhos já detidos. As investigações buscam agora entender a motivação do crime.

O UOL teve acesso a 843 páginas do processo judicial relativas à 1ª fase do inquérito policial, que corre sob sigilo no TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio). A Justiça aceitou a denúncia do MP-RJ e dois dos 54 filhos do casal viraram réus pelo assassinato do pastor. Flávio e Lucas respondem por homicídio triplamente qualificado.

Segundo a polícia, Flávio confessou ter dado seis tiros em Carmo, e Lucas foi o responsável por arranjar a arma calibre 9 mm usada no assassinato. A 2ª fase do inquérito vai apurar quem foi o mentor do homicídio, quantos disparos foram efetuados contra o pastor e se mais uma arma foi usada no crime.

A DH de Niterói afirmou ao Fantástico que um inquérito sigiloso foi aberto para averiguar a suposta tentativa de extorsão e que deputada federal jamais comunicou essa informação à delegacia.

Mais Cotidiano