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Polícia investiga viatura e celular de jovem que teria sumido em abordagem

Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, desaparecido após abordagem feita por policiais militares em Jundiaí (SP) - Arquivo pessoal
Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, desaparecido após abordagem feita por policiais militares em Jundiaí (SP) Imagem: Arquivo pessoal

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

03/01/2020 11h25Atualizada em 07/01/2020 17h54

Resumo da notícia

  • Polícia Civil quer saber até onde e que horário o celular do jovem ficou ligado
  • Corregedoria da PM diz que viatura que patrulhava na região já foi identificada
  • Segundo testemunhas, jovem desapareceu após ser abordado pela PM
  • PM contradiz família, e diz que não houve ação da PM no local e horário
  • Uma semana depois, pais seguem angustiados sem respostas sobre paradeiro do filho

Uma força-tarefa entre as polícias Civil e Militar tenta localizar Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, que, segundo a família, desapareceu após ser abordado por PMs em Jundiaí, no interior de São Paulo, por volta das 17h de 27 de dezembro. Há investigações na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da cidade e também na Corregedoria da PM.

Segundo a Corregedoria, um IPM (Inquérito Policial Militar) foi instaurado e uma equipe foi até Jundiaí na tarde de ontem para realizar investigações preliminares. O órgão informou que já foi identificada a viatura que fazia o patrulhamento na região naquele dia. Agora, quer saber se houve, de fato, a abordagem antes do sumiço do jovem.

Já a Polícia Civil solicitou à família o número do celular de Nascimento. Com isso, a polícia quer rastrear o último local e horário onde o celular estava ligado para, assim, tentar encontrar o rapaz.

Na tarde de ontem, os pais do jovem foram prestar depoimento à DIG de Jundiaí. Lá, disseram ter ouvido a promessa de que a Polícia Civil fará de tudo para encontrar Nascimento. O caso, porém, já havia sido registrado no fim ano ano passado, seis dias antes de a polícia iniciar as diligências.

"Não nos deram prazo nenhum. Só nos disseram, ontem, que iam começar as diligências para tentar encontrar meu filho. Mas tudo sem prazo", disse o pai do jovem, o segurança Eduardo Aparecido do Nascimento, 50.

Segundo testemunhas, Nascimento havia ido a um bar, na rua Benedito Basílio Souza Filho, no Jardim São Camilo, bairro periférico da cidade, confraternizar com outros quatro amigos. Os cinco foram abordados pela PM. Nascimento, o único negro entre eles, foi levado dentro da viatura. Desde então, está desaparecido.

Por meio de nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) confirmou que "o caso foi registrado como desaparecimento no plantão do 1° DP de Jundiaí e encaminhado à DIG do município para continuidade nas investigações, por meio de Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID)".

Ainda segundo a pasta, "a equipe realiza oitivas e ouvirá testemunhas para tentar localizar à vítima. A PM informa que não tem conhecimento de nenhum fato envolvendo policiais militares na localidade e qualquer informação que chegue a respeito será imediatamente apurada".

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Angústia e esperança do pai

A família diz ter esperança de que a polícia consiga encontrar o jovem, mas também faz investigações por conta própria. "Nem Ano-Novo a gente teve. Passamos o tempo inteiro no mato do Jardim São Camilo procurando por ele. Sábado, domingo, segunda, terça, quarta. Passei o Ano-Novo buscando meu filho. Numa angústia que não sei descrever", afirmou o pai do jovem, o segurança Eduardo Aparecido do Nascimento.

Segundo o pai, com medo de morrer, os quatro amigos abordados não se dispuseram a ir com a família à delegacia denunciar o caso. Mas o pai diz ter ido duas vezes à Polícia Civil antes de ter ido à DIG, ontem, e uma vez ao 49º BPM (Batalhão da Polícia Militar) —responsável pela área. Ele tinha ouvido que não havia nenhum registro de detenção naquele local e dia.

A esperança do pai, que trabalha como segurança em uma faculdade de Jundiaí, é que o filho tenha cometido algum delito e que esteja detido em algum lugar, mas diz também estar "preparado para o pior".

O que eu quero ouvir é: 'seu filho está preso em tal lugar'. Mas a gente tá preparado para tudo. Se ele errou, que pague pelo erro dele. Pela nossa criação, acredito que não errou, mas espero que tenha sido isso.
Eduardo Aparecido do Nascimento, 50, pai de Carlos

Carlos Nascimento passou o Natal com a mãe, também em Jundiaí, e disse que passaria o Ano-Novo com o pai, já que os dois são separados. "Ele me disse que passaria comigo, fiquei todo feliz, disse a ele: 'pode vir, vem, sim'. E aí meu Ano-Novo acabou sendo desse jeito aí", disse.

Mesmo após o desaparecimento do filho, o segurança afirma que não se pode culpar toda a corporação por um erro. E que, inclusive, conta com as forças de segurança para tentar ajudar a encontrar seu filho.

"Aqui na cidade de Jundiaí, eu nunca ouvi algo parecido. Se realmente a polícia fez algo de errado contra meu filho, todo lugar tem maçãs podres. A única coisa que quero é encontrar meu filho", afirmou.

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