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Pai diz que jovem sumiu após abordagem da PM: "Passei o Ano-Novo buscando"

Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, desaparecido após abordagem feita por policiais militares em Jundiaí (SP) - Arquivo pessoal
Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, desaparecido após abordagem feita por policiais militares em Jundiaí (SP) Imagem: Arquivo pessoal

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

02/01/2020 12h06

Resumo da notícia

  • Carlos Nascimento, 20, foi levado por PMs após abordagem feita em 27 de dezembro
  • Ele estava em um bar com quatro amigos. Apenas ele foi levado dentro da viatura
  • Pai diz que passou o Ano-Novo procurando pelo jovem em matas da região
  • Caso foi registrado na Polícia Civil, em Jundiaí, como desaparecimento

Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, passou o último mês entregando currículos para conseguir um trabalho. Enquanto aguardava uma vaga, realizava bicos como pintor e ajudante de caminhão de mudanças em sua cidade, Jundiaí, interior de São Paulo.

No dia 27, a última sexta de 2019, foi a um bar, no fim da tarde, confraternizar com outros quatro amigos, na rua Benedito Basílio Souza Filho, no Jardim São Camilo, bairro periférico da cidade.

Os cinco amigos foram abordados pela polícia, segundo a família. Nascimento, o único negro entre eles, foi levado dentro da viatura. Desde então, está desaparecido. A família foi até a Polícia Civil, onde o caso de desaparecimento foi registrado. Mas, além da força policial, os próprios familiares buscam o jovem pela cidade há seis dias.

"Nem Ano-Novo a gente teve. Passamos o tempo inteiro no mato do Jardim São Camilo procurando por ele. Sábado, domingo, segunda, terça, quarta. Passei o Ano-Novo buscando meu filho. Numa angústia que não sei descrever", afirmou o pai do jovem, o segurança Eduardo Aparecido do Nascimento, 50, ao UOL.

Segundo o pai, com medo de morrer, os quatro amigos abordados não se dispuseram a ir com a família à delegacia denunciar o caso. Mas o pai diz ter ido duas vezes à Polícia Civil, uma vez ao 49º BPM (Batalhão da Polícia Militar) —responsável pela área— e que ouviu que não houve nenhum registro de detenção de ninguém naquele dia e local.

"Ele foi abordado pela Polícia Militar às 17h, na sexta-feira. Até hoje não tivemos mais notícia nenhuma dele. Fomos no plantão policial no final de semana, me informaram que não tinha nada. Fui até o 49º BPM, disseram que não tinha nenhum registro", diz.

A esperança do pai, que trabalha como segurança em uma faculdade de Jundiaí, é que o filho tenha cometido algum delito e que esteja detido em algum lugar, mas diz também estar "preparado para o pior".

"O que eu quero ouvir é: 'seu filho está preso em tal lugar'. Mas a gente tá preparado para tudo. Se ele errou, que pague pelo erro dele. Pela nossa criação, acredito que não errou, mas espero que tenha sido isso", afirmou o pai.

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Carlos Nascimento passou o Natal com a mãe, também em Jundiaí, e disse que passaria o Ano-Novo com o pai, já que os dois são separados. "Ele me disse que passaria comigo, fiquei todo feliz, disse a ele: 'pode vir, vem, sim'. E aí meu Ano-Novo acabou sendo desse jeito aí", disse.

Mesmo após o desaparecimento do filho, o segurança afirma que não se pode culpar toda a corporação por um erro. E que, inclusive, conta com as forças de segurança para tentar ajudar a encontrar seu filho.

"Aqui na cidade de Jundiaí, eu nunca ouvi algo parecido. Se realmente a polícia fez algo de errado contra meu filho, todo lugar tem maçãs podres. A única coisa que quero é encontrar meu filho", afirmou.

Por meio de nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) confirmou que "o caso foi registrado como desaparecimento no plantão do 1° DP de Jundiaí e encaminhado à DIG do município para continuidade nas investigações, por meio de Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID)".

Ainda segundo a pasta, "a equipe realiza oitivas e ouvirá testemunhas para tentar localizar à vítima. A PM informa que não tem conhecimento de nenhum fato envolvendo policiais militares na localidade e qualquer informação que chegue a respeito será imediatamente apurada".

Uma equipe da Corregedoria da PM investiga o caso de forma preliminar.

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