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9 meses
Grupos contra e pró-Moro se reúnem em frente à PF; cinegrafista é agredido

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Ponta Grossa

02/05/2020 13h53

Grupos de manifestantes contra e favor do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro se reúnem desde a manhã de hoje em frente à sede da Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Moro tem depoimento marcado para hoje no inquérito que apura possível interferência política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da PF.

Houve princípio de tumulto entre os dois grupos, mas a Polícia Militar (PM) conseguiu conter os ânimos, usando um cordão de isolamento para separar os manifestantes, mas um cinegrafista da RIC TV, afiliada Record, chegou ser agredido por um dos manifestantes. Nas imagens que circulam nas redes sociais, um homem com a bandeira do Brasil empurra o equipamento do profissional de imprensa. A RIC TV ainda não se manifestou sobre o caso. Ao UOL, a PM informou que cerca de 100 pessoas estão em frente à Polícia Federal.

Os manifestantes se reúnem na calçada da sede da Polícia Federal. Os contrários ao ex-ministro estão caracterizados com faixas em apoio ao presidente Jair Bolsonaro e os que aderem a Sérgio Moro ocupam o espaço com cartazes e banners com palavras pró-Lava Jato, à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal (MPF). Ambos carregam bandeiras do Brasil e usam carros de som.

Antes de a Polícia Militar fazer o cordão de isolamento, os grupos antagonistas trocaram xingamentos. Os que apoiam Jair Bolsonaro entonam gritos de "mito" enquanto os que aderem à Lava Jato gritam o nome de Moro, que, enquanto juiz, comandou a operação na 13ª Vara Federal de Curitiba.

O depoimento de Moro está marcado após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, dar prazo de cinco dias para a oitiva (https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/04/30/celso-de-mello-manda-pf-ouvir-moro-sobre-acusacao-a-bolsonaro-em-ate-5-dias.htm) no inquérito aberto após o ex-ministro acusar o presidente Jair Bolsonaro de interferência política no comando da PF.

Inicialmente marcado para as 11h, a oitiva ainda não aconteceu, pois o ex-ministro ainda não chegou ao prédio da Polícia Federal. A previsão é de que depoimento ocorra ainda hoje, no período da tarde. Segundo a Polícia Militar, com a separação dos grupos, os ânimos estão acalmados.

A investigação foi aberta a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, que também quer investigar se o ex-juiz da Lava Jato cometeu crime de denunciação caluniosa.

Em entrevista à revista Veja, Moro disse que considerou "intimidação" o fato de a Procuradoria-Geral da República o investigar por suposta denúncia falsa. Aras foi indicado ao cargo pelo próprio Bolsonaro, numa ação em que o presidente deixou de escolher um nome da lista tríplice de candidatos eleitos internamente pelo Ministério Público Federal.

Em resposta, Aras disse que não admite ser manipulado ou intimidado. A demissão de Moro foi o desfecho de uma crise que começou em 2019, quando Bolsonaro interveio na PF no Rio de Janeiro.

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