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Fernando de Noronha descarta últimas suspeitas e zera casos de coronavírus

Final de tarde em Fernando de Noronha - Eduardo Vessoni
Final de tarde em Fernando de Noronha Imagem: Eduardo Vessoni

Eduardo Vessoni

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/05/2020 15h43

Isolado no Atlântico, a mais de 540 km do continente, Fernando de Noronha já vivia em um isolamento natural. Mas isso não impediu que essa ilha de pouco mais de três mil habitantes registrasse 28 pessoas contaminadas no arquipélago (17 homens e 11 mulheres). Hoje, a Administração de Noronha confirmou que os últimos quatro casos suspeitos foram descartados e que a ilha está livre da covid-19.

Na avaliação do presidente do Conselho Distrital de Saúde, Antônio Gomes de Morais Júnior, isso se deve sobretudo à alta adesão da população ao lockdown implantado em 20 de abril. Fernando de Noronha registrou o seu primeiro caso de coronavírus em 27 de março.

"É muito mais fácil controlar [a circulação de pessoas], pois temos apenas o porto e o aeroporto como porta de entrada", avalia Júnior. Desde então, a população vive em isolamento total.

Lockdown

Além de fechar praias e comércio, o governo de Pernambuco ainda proíbe saídas sem autorização prévia, que deve ser solicitada por um formulário via celular. De acordo com o decreto estadual 48.973, as praias seguem sem acesso público e estabelecimentos comerciais permanecem fechados até o dia 15 de maio. As exceções são mercados, farmácias e lojas de materiais.

O aeroporto de Fernando de Noronha também se encontra fechado, desde o início de abril, inclusive para moradores regularizados que se encontram fora da ilha.

"A gente tem que continuar com toda a responsabilidade de ter conquistado esse status. Ainda não podemos baixar a guarda, porque o vírus pode entrar de novo e aparecerem novos casos dentro da ilha", avisa Antônio Gomes.

Futuro do turismo

O empresariado local começa a discutir o futuro econômico desse destino em que 95% da população sobrevive do turismo. "Sem ele, a ilha não sobrevive", avalia Antônio Gomes de Morais Júnior, que também é empresário em Fernando de Noronha.

Para Regina Brizolara, especialista do Ministério da Saúde na área de vigilância de doenças transmissíveis, é precisos entender melhor o comportamento do vírus em Noronha, onde cerca de 80% dos casos da doença são assintomáticos.

"Para termos 100% de certeza, precisamos de um estudo que irá guiar também sobre o momento adequado para abrir as atividades econômicas e sociais do arquipélago para não termos outras ondas da doença internamente", explicou em nota.

Com previsão de início ainda na primeira quinzena de maio, um estudo epidemiológico deve ser feito com 900 voluntários moradores de Noronha, entre homens e mulheres de diferentes faixas etárias, a fim de avaliar a circulação do coronavírus.

Segundo a Administração de Noronha, serão realizados dois tipos de testes para a covid-19 no arquipélago. O primeiro será um PCR em tempo real para detecção do vírus, com coleta de material da narina e garganta e enviado ao Recife para análise. O outro será um teste rápido para detecção de anticorpos, com coleta de sangue no laboratório do Hospital São Lucas, em Noronha, e resultado divulgado em poucas horas.

Para Guilherme Rocha, administrador da ilha, os resultados são fundamentais para avaliar a necessidade de outras medidas de proteção e o retorno das atividades no destino. "É preciso que a população continue fazendo seu papel, ficando em casa", afirma Rocha, via nota divulgada à imprensa.

Enquanto isso, o aeroporto Wilson Campos segue com pousos proibidos até o próximo dia 15 de maio. Os últimos turistas deixaram a ilha em 21 de março.

Prejudicadas pela proibição de desembarque de qualquer pessoa no terminal aéreo local, as 31 famílias noronhenses que estão retidas no Recife receberão 62 cestas básicas, em uma parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado e a Administração de Fernando de Noronha.

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