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1 mês
Jovem morre após ser baleado pela PM do Rio, e mãe fala em provas forjadas

Yago Mesquita Delfino, 25, morto após ser baleado pela PM no Rio de Janeiro - Arquivo pessoal
Yago Mesquita Delfino, 25, morto após ser baleado pela PM no Rio de Janeiro Imagem: Arquivo pessoal

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

01/07/2020 10h32

A mãe de um jovem morto no Rio de Janeiro, na última segunda-feira, acusa a Policia Militar (PM) de ter forjado provas para justificar o assassinato dele.

Yago Mesquita Delfino, 25, morreu após ser baleado pela PM em Anchieta, na zona norte do Rio. De acordo com a mãe da vítima, que pediu para não ter o nome divulgado, o jovem foi surpreendido por policiais, agredido e baleado. Ele teria saído para comprar cigarros.

A PM alegou que Yago foi atingido após um tiroteio entre policiais e "indivíduos em atitude suspeita". Segundo a corporação, o jovem foi encontrado caído com uma pistola e uma sacola com entorpecentes. A vítima não tinha antecedentes criminais.

Ao saber da informação, a mãe da vítima recusou a tese e acusou os policiais de violência. "A polícia chegou daquele jeito, ele foi baleado e ainda conseguiu se esconder atrás de um latão para se proteger. Um policial chegou e chutou ele e pediu que entregasse armas e drogas. Ele respondeu que não tinha nada, que não era bandido e a polícia executou ele", explicou em entrevista ao UOL.

Disseram que ele foi encontrado com armas e drogas para justificar a morte. Jogar droga e arma em cima de um morto é fácil, quero ver provar
Mãe de Yago Delfino, assassinado pela PM no Rio

A mãe disse ainda que o jovem foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Ricardo de Albuquerque, que fica a 15 minutos do local onde Yago foi abordado. No entanto, o carro com o jovem só chegou 40 minutos depois e ele já estava morto ao chegar na unidade.

"Ele chegou sem relógio, sem celular, sem documentos. Jogaram ele de cueca em uma maca. Por que mataram meu filho?", questionou a mãe.

Apesar de Yago ter sido socorrido para uma unidade de saúde, a identidade do jovem foi deixada na delegacia da região, contou a mãe do rapaz.

Ela disse ainda que já fez um boletim de ocorrência na delegacia para que a Polícia Civil esclareça o caso e promete ir à Corregedoria da PM para solicitar a apuração do assassinato.

Segundo a mãe, o filho gostava de ficar com a família, não curtia bagunça e era uma pessoa de poucos amigos.

Meu filho nunca pegou em uma arma, nunca assaltou ninguém. Era um garoto direito. Ele era alegre, brincalhão, um jovem excelente, maravilho, que me tiraram. Partiu com 25 anos
Mãe de Yago Delfino, assassinado pela PM no Rio

Procurada, a PM informou que durante um patrulhamento a equipe viu "indivíduos em atitude suspeita" e, na tentativa de abordagem, os suspeitos atiraram contra eles, o que iniciou uma troca de tiros. Posteriormente, segundo a corporação, um homem foi encontrado caído com uma pistola e uma sacola com entorpecentes. A vítima foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

A PM disse que foram apreendidas uma pistola, oito munições, um carregador e 140 pinos de cocaína na ação. A ocorrência foi registrada na 27ª DP (Vicente de Carvalho). A corporação não comentou as acusações da mãe de Yago sobre a suposta alteração das provas.

A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento. "Os policiais militares foram ouvidos e familiares estão sendo chamados para prestar depoimento. Diligências estão sendo realizadas", informou a corporação através de nota.

Cotidiano