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Homem admite ter matado amigo em caçada, mas diz que o confundiu com javali

Espingardas e munições que estavam na posse de dois amigos durante uma caçada a javali em MG; um deles morreu, e o outro assumiu a autoria do tiro - Divulgação/Polícia Militar MG
Espingardas e munições que estavam na posse de dois amigos durante uma caçada a javali em MG; um deles morreu, e o outro assumiu a autoria do tiro Imagem: Divulgação/Polícia Militar MG

Felipe Munhoz

Colaboração para o UOL, em Lençóis (BA)

03/08/2020 12h42Atualizada em 03/08/2020 19h36

Um homem morreu ontem após ser alvejado por um tiro disparado por um amigo durante uma caçada na Fazenda Paraíso, em Itanhandu, Minas Gerais. De acordo com a Polícia Militar, o suspeito assumiu a autoria do crime, mas afirmou que confundiu o amigo com um javali.

Ele relatou que tentou socorrer a vítima, mas, por estarem em uma mata fechada, não conseguiu fazer o resgate sozinho, voltou à sede da fazenda e pediu para que chamassem a polícia.

O suspeito afirmou à PM que era amigo da vítima, Paulo César da Silva, 43, há muito tempo e que eles combinaram de ir ao local para caçar um javali que estava rondando a área.

Ainda segundo o depoimento, eles avistaram o animal em meio à mata e a vítima realizou um primeiro disparo contra o javali. Neste momento, o suspeito pensou ter visto o animal correndo e realizou um disparo naquela direção. Foi então que escutou um grito e percebeu que havia atingido o amigo.

O autor do disparo foi preso em flagrante e encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil da cidade. A vítima portava uma espingarda calibre 28, e o suspeito, uma espingarda de calibre 32. Ao se apresentar à polícia, o homem entregou a arma, 10 cartuchos intactos e um cartucho vazio.

O local foi isolado pela Polícia Militar, que acionou a perícia técnica. Quando os trabalhos periciais terminaram, o corpo foi encaminhado para o IML de São Lourenço.

Amigos tinham licença para caça, mas não com arma de fogo

De acordo com a PM, os dois caçadores possuem registro para posse de arma - permissão para ter -, mas não para porte - permissão para andar com ela.

Eles também têm licença no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para a atividade de manejo de fauna exótica invasora, que permite a caça de javali com emprego de armadilhas, ceva, espera, cães, faca, zagaia, lança, armas de pressão, arcos e bestas. No entanto, para utilizar armas de fogo, além do cadastro no Ibama, também é necessário ter o Certificado de Registro (CR) de Caçador do Exército, que eles não têm.

"Eles tinham autorização para ter arma em casa. Mas não tinham para transportar até o local da caçada. Nós acionamos a Polícia Militar Ambiental, mas não foi registrado crime ambiental pelo abate do animal por se tratar do javali, que não é uma espécie da nossa fauna", explicou o tenente da Polícia Militar, José Ednilson Marcelino da Silva.

A Polícia Civil informou que o suspeito será indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e que não foi registrado nenhuma queixa, até o momento, de desavença entre os envolvidos no caso. Se houver alguma denúncia, ela será incluída na investigação.

Ainda segundo a polícia, o autor do disparo foi ouvido e, como se trata de homicídio culposo de forma acidental e com confissão, ele foi liberado em seguida para aguardar o julgamento em liberdade.

A caça do javali foi autorizada em todo o país em janeiro de 2013. De acordo com o Ibama, o animal nativo da Europa, Ásia e Norte da África é considerado uma das espécies exóticas invasoras mais prejudiciais ao meio ambiente e à economia.

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